A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), por meio de sua Comissão de Defesa Agrícola, acompanhou os debates do 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) na capital paulista. Sob a temática da inovação para eficiência agronômica, o evento consolidou o papel do insumo como elemento crítico de soberania econômica e segurança alimentar nacional.
Na abertura do encontro, foi anunciado o aporte de R$ 4 bilhões direcionados à indústria de fertilizantes, inserido na terceira fase do programa Brasil Soberano. O montante integra um pacote global de R$ 18,5 bilhões desenhado para mitigar impactos de barreiras comerciais, tarifas dos Estados Unidos e turbulências geopolíticas, viabilizado por linhas de financiamento de investimentos e capital de giro pelo BNDES.
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Os painéis técnicos enfatizaram que expandir a planta fabril brasileira de forma isolada não encerra a vulnerabilidade do país. Entre os fatores de preocupação expostos, constam o fechamento de unidades de produção no território nacional nos últimos cinco anos, os atritos logísticos decorrentes da rivalidade sino-americana e a urgência em ampliar alianças de suprimento com parceiros asiáticos.
Crédito restrito e reposição de nutrientes no solo
No front financeiro, os debatedores ressaltaram a conjunção desfavorável formada por juros reais elevados, aperto no crédito bancário, oscilações cambiais e margens operacionais mais curtas. Esse cenário tem tornado o calendário de aquisição de adubos decisivo para a sustentabilidade da safra. Com a contínua expansão de área de soja e algodão em Mato Grosso, analistas alertaram para o risco de a demanda global e regional superar a capacidade de fornecimento já em 2027.
A escassez de linhas de financiamento atinge com maior peso os médios e pequenos produtores. O congresso destacou que a redução deliberada nas doses de adubação fosfatada observada em talhões recentes exigirá reposição técnica no solo já nos próximos ciclos para evitar o esgotamento da fertilidade da terra, demandando análises específicas por microrregião mato-grossense.
Avanço legislativo no frete marítimo e gargalo do gás
Na frente regulatória e tributária, os participantes debateram a tramitação do PLP 114/2026, sancionado e convertido na Lei Complementar nº 235/2026. O dispositivo legal desonera a cobrança do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) entre os anos de 2027 e 2031 para cargas voltadas a projetos industriais aprovados no âmbito do desenvolvimento do setor.
Em relação ao Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), as lideranças apontaram que o principal entrave para a autonomia na síntese de nitrogenados permanece vinculado ao custo e à disponibilidade do gás natural como matéria-prima.
A Aprosoja MT reforçou que os fertilizantes representam um dos componentes mais pesados do custo operacional efetivo da soja e do milho no estado. A leitura institucional levada do evento confirma que a substituição de importações é um processo lento, exigindo do produtor planejamento antecipado nas compras para evitar compras no pico das cotações internacionais.
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