O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Gedeão Pereira, apresentou um diagnóstico detalhado sobre o cenário produtivo nacional durante a 2ª edição do fórum Agrodebates. O encontro foi promovido pela Federação dos Clubes de Integração e Trocas de Experiências (Federacite) nesta terça-feira (1º), integrando a programação técnica oficial da 49ª Expointer, no Parque Assis Brasil, em Esteio (RS). O debate marcou as celebrações dos 50 anos do Movimento Citeano e o aniversário de quatro décadas da federação.
Durante sua participação, a liderança setorial destacou a força das principais cadeias agrícolas do Rio Grande do Sul, com ênfase na expansão do arroz e da soja. No caso da oleaginosa, Pereira pontuou que o parque produtor gaúcho desfruta de um diferencial logístico expressivo devido à proximidade geográfica com o Porto de Rio Grande, reduzindo despesas com frete até os terminais de transbordo internacional. Em contrapartida, frisou que a renovação de maquinários e o ritmo de mecanização das lavouras continuam estrangulados pela manutenção de taxas de juros elevadas no crédito rural.
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Competitividade da pecuária e a janela da classe média chinesa
Na análise do mercado de proteína animal, o vice-presidente da CNA ressaltou a eficiência de custos e o padrão sanitário da carne brasileira, atributos que posicionam o país em vantagem na disputa por novos mercados consumidores globais.
O dirigente apontou que o projeto econômico da China — voltado à incorporação de cerca de 400 milhões de cidadãos à classe média nos próximos anos — abre uma oportunidade sem precedentes para o fornecimento contínuo de alimentos:
"É o Brasil que oferece segurança alimentar para isso", pontuou Pereira ao projetar o avanço das compras externas asiáticas.
Articulação institucional e capacitação técnica
A atuação política da CNA também compôs a pauta do encontro. Pereira mencionou a presença da entidade em mais de 220 representações colegiadas junto aos órgãos dos poderes Executivo e Legislativo, atuando em pautas focadas na redução de custos de produção, melhora da renda da atividade e estabilidade jurídica no campo.
No eixo da profissionalização, foi reforçado o papel exercido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS) na formação de mão de obra capacitada para operar as tecnologias de precisão no campo. Como exemplo prático de suporte à mecanização da metade sul gaúcha, Pereira citou o Centro de Formação Rural Campanha, inaugurado em maio deste ano no município de Hulha Negra.
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