O etanol hidratado expandiu sua vantagem competitiva em relação à gasolina comum no mercado brasileiro, atingindo o maior patamar de atratividade registrado nos últimos oito anos. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a cotação média do etanol hidratado em São Paulo fixou-se em R$ 3,70 por litro, enquanto a gasolina comum registrou R$ 6,39 por litro.
Considerando a equivalência técnica de rendimento de 73% entre os combustíveis, o preço limite de competitividade do etanol seria de R$ 5,07 por litro. A diferença atual entrega ao consumidor um ganho líquido de R$ 1,32 por litro rodado — o que se traduz em uma economia direta de R$ 79,29 a cada abastecimento completo de um tanque de 60 litros. Trata-se da segunda maior margem de economia da série histórica da ANP, iniciada em 2013.
Com Goiás em destaque, etanol garante economia de R$ 80 por tanque
Oferta elevada de etanol mantém pressão sobre preços em SP
A dominância do combustível renovável é ampla nas principais praças consumidoras e produtoras do País. A ANP aponta que 100% dos municípios pesquisados em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais apresentaram o etanol com preços altamente vantajosos frente à gasolina. Em Mato Grosso, a paridade atingiu a marca de 55,0%, com o hidratado comercializado a R$ 3,74 contra R$ 6,80 do concorrente fóssil (diferença de R$ 3,06 por litro).
Blindagem contra choques externos e início do E32
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), o forte desempenho do biocombustível atua como um amortecedor inflacionário crucial em momentos de volatilidade geopolítica no mercado de petróleo.
"A maior participação do etanol na matriz energética representa uma alternativa eficiente para substituir combustível fóssil, importado e mais caro pelo biocombustível produzido domesticamente com geração de renda, emprego, economia ao consumidor e menores emissões de gases de efeito estufa", destaca Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial e Regulação da UNICA.
O fortalecimento da cadeia renovável ganhou um novo marco regulatório alinhado às diretrizes da Lei Combustível do Futuro. A mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina aumentou de 30% para 32% (E32).
A elevação do percentual de anidro é considerada uma medida estratégica de política macroeconômica. Tendo em vista que o Brasil importou aproximadamente 3,5 bilhões de litros de gasolina, a consolidação do E32 tem o potencial de cortar a necessidade de importações do derivado de petróleo entre 800 milhões e 1 bilhão de litros anualmente, retendo divisas e protegendo o abastecimento nacional contra escaladas de preços no exterior.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
