A colheita de café arábica nas lavouras da área de abrangência da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) alcançou 66% da área total no encerramento de julho. Conforme boletim técnico da cooperativa, 46% do volume recolhido do campo já passou pelo processo de beneficiamento, registrando um rendimento médio de 500 litros de café em coco para a obtenção de uma saca beneficiada de 60 kg.
O avanço atual sinaliza um ritmo ligeiramente mais cadenciado do que o registrado no mesmo período da safra 2025, quando os trabalhos de campo alcançavam 70% da área total.
Preço do café dispara com chuva e El Niño, mas superávit se aproxima
Exportação de café para os EUA despenca 36% no 1º semestre de 2026
A desaceleração pontual dos trabalhos na última semana do mês esteve atrelada à passagem de uma frente de instabilidade que provocou chuvas acima do previsto no Cerrado Mineiro entre os dias 24 e 25 de julho. Os acumulados de precipitação oscilaram entre 25 mm e 40 mm, acompanhados de rajadas de vento e episódios isolados de granizo.
De acordo com a equipe técnica da Expocacer, a umidade do solo forçou a interrupção temporária das colhedoras automáticas, do recolhimento de café varrido do chão e das operações de transporte das lavouras até os terreiros e secadores.
Qualidade física e impacto das ventanias
As rajadas de vento associadas à chuva intensificaram o desprendimento de frutos secos que permaneciam na parte superior do cafeeiro, aumentando consideravelmente o volume de café depositado no solo.
A consequência direta sobre a qualidade física do grão colhido foi a elevação na porcentagem de catação, que se manteve acima da marca de 15% na semana passada. As cargas que chegam para o beneficiamento exibem expressiva presença de grãos verdes e de café de varrição. O cenário exige maior rigor por parte dos cafeicultores na classificação, secagem e limpeza dos lotes para preservar o padrão da bebida final.
Clima estável favorece máquinas; frio exige atenção
Após o evento de instabilidade, a volta da estabilidade atmosférica e as temperaturas elevadas reativaram a secagem do café nos terreiros e permitiram o tráfego regular do maquinário nas lavouras do Cerrado Mineiro.
Os modelos de previsão meteorológica indicam predomínio de tempo seco até pelo menos 5 de agosto, sem indicativo de precipitações volumosas para os próximos dias, ambiente propício para a recuperação do ritmo de colheita.
Contudo, os técnicos da Expocacer alertam os produtores para a aproximação de uma massa de ar frio que deve derrubar gradualmente as temperaturas na região, com mínimas que podem cair até a casa dos 8°C ao longo desta semana, exigindo planejamento detalhado para as rotinas de secagem e colheita em campo.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
