Os preços do café arábica fecharam o mês de agosto com valorizações expressivas no mercado nacional e no exterior. O impulso altista foi sustentado pela escassez de cafés de padrão superior na colheita da safra 2026/27 e pelos níveis historicamente reduzidos dos estoques certificados monitorados pela ICE Futures, a Bolsa de Nova York.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações ganharam sustentação mesmo em um período de encerramento dos trabalhos de campo no Brasil, quando a maior disponibilidade imediata de café físico tradicionalmente pressiona os valores para baixo. O comportamento atípico reflete a preocupação do setor com o clima sobre o desenvolvimento das próximas floradas e o comprometimento qualitativo da produção recém-colhida.
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As precipitações volumosas e fora de época registradas entre junho e julho nos principais cinturões cafeeiros do país interferiram diretamente na secagem e na maturação dos grãos em terreiro. Embora o volume total colhido na safra 2026/27 aponte patamares expressivos, a entrega final ao mercado revelou um lote predominante de bebida inferior (comercial e riado) e de peneiras mais miúdas.
Como consequência direta dessa alteração no perfil da safra, a disponibilidade de cafés finos e com classificação de peneira mais graúda encolheu consideravelmente. A disputa entre exportadores e torrefações para garantir os poucos lotes de padrão superior elevou os prêmios e consolidou o movimento positivo para o arábica ao longo de todo o mês.
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