O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, em Brasília, de reunião do Grupo de Trabalho (GT) do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) dedicado à implantação do Monitoramento da Saturação Portuária (MSP). O encontro reuniu a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e entidades representativas da iniciativa privada para construir uma metodologia integrada de identificação preventiva de colapsos operacionais no cais e nos acessos logísticos do país.
Conduzido pela Secretaria Nacional de Portos (SNP), o programa visa cruzar a curva de crescimento da demanda dos exportadores com a infraestrutura física disponível tanto em portos públicos organizados quanto em Terminais de Uso Privado (TUPs). O monitoramento servirá de base técnica para balizar intervenções e investimentos prioritários no âmbito do Plano Nacional de Logística (PNL).
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Conforme o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, a ferramenta atende a uma reivindicação recorrente do agro para subsidiar tomadas de decisão governamentais com métricas reais de operação:
"O MSP se apresenta, em seu escopo inicial, como uma ferramenta de mapeamento de gargalos e planejamento setorial de Estado, ouvindo as entidades do setor privado, que representam os usuários dos portos e conhecem a realidade portuária e seus entornos. A intenção é comparar a demanda projetada com a capacidade existente, de forma que se diagnostique, antecipadamente, situações de saturação da capacidade portuária e dos acessos pelos modais rodoviário e aquaviário, visando nortear as ações de governo e os investimentos."
Métricas de serviço e cronograma até 2030
O diretor-presidente da Associação Brasileira dos Usuários dos Portos, de Transportes e da Logística (Logística Brasil), André de Seixas, detalhou que o sistema trabalhará ancorado em três pilares fundamentais: projeção de demanda, mensuração de capacidade estática e dinâmica, e indicadores de qualidade no nível de serviço.
A plataforma prevê a entrega de relatórios anuais consolidados entre 2027 e 2030, abrangendo desde calados e berços de atracação até a capacidade das rodovias e ferrovias que desembocam nos complexos portuários. A proposta é oferecer transparência sobre o esgotamento dos terminais e acelerar autorizações para investimentos privados de expansão.
Prejuízo de R$ 66 milhões na safra de café
A urgência do mecanismo é ilustrada pelo histórico recente de estresse logístico que castigou os embarques da cafeicultura. Dados levantados pelo Cecafé por meio do Boletim Detention Zero (DTZ), desenvolvido em parceria com a ElloX Digital, revelaram que 55% dos navios cargueiros enfrentaram atrasos sistemáticos ou cortes de escalas na média mensal ao longo de 2025 nos principais portos nacionais.
Os cancelamentos e reprogramações de escalas impediram o embarque pontual de aproximadamente 602 mil sacas de café a cada mês (equivalente a 1.824 contêineres retidos). A insuficiência de berços e o congestionamento nas janelas de gate resultaram em um prejuízo financeiro direto de R$ 66,1 milhões aos exportadores associados à entidade em 2025, impulsionado por cobranças extras de sobre-estadia de contêineres (detention), taxas de pré-stacking e diárias adicionais de armazenagem nos armazéns retroportuários.
Para Heron, institucionalizar o MSP dentro da estrutura do MPor é um avanço crucial para que o planejamento estatal acompanhe a velocidade da safra: "A sinergia público-privada será fundamental para o êxito do planejamento logístico do país e a disponibilidade de infraestrutura logística portuária condizente com a pujança de setores como o agro, em especial o café".
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