As projeções de uma oferta global abundante de soja na safra 2026/27 continuam ditando o ritmo de desvalorização das cotações tanto nas praças físicas brasileiras quanto na Bolsa de Chicago. A pressão de baixa reflete a combinação entre a fase final e volumosa da colheita no Hemisfério Norte, com destaque para os Estados Unidos, e a rápida evolução do plantio da oleaginosa no Brasil, impulsionado pela regularização recente das precipitações no Centro-Oeste.
Contudo, a desvalorização não ocorreu de forma desordenada no mercado doméstico. De acordo com análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os temores em relação ao comportamento do fenômeno climático El Niño levaram parte dos produtores brasileiros a adotar uma postura defensiva, retirando lotes do mercado spot e segurando as vendas imediatas, o que conteve perdas mais acentuadas na bica do armazém.
Semeadura da soja em MT supera 50% da área estimada
Soja opera em leve queda em Chicago com colheita nos EUA
Excesso hídrico no Sul e migração de áreas
O foco das atenções climáticas concentra-se na Região Sul do Brasil, onde a persistência de volumes elevados de chuva atrapalha pontualmente as operações de maquinário e o estabelecimento das primeiras lavouras. Segundo pesquisadores do Cepea, o atraso pontual no cronograma paranaense e gaúcho já alimenta especulações entre consultorias sobre a possibilidade de produtores migrarem parcelas de áreas originalmente destinadas à soja para o cultivo de milho primeira safra.
Apesar dos riscos localizados associados ao El Niño, o quadro fundamental de abastecimento internacional permanece amplamente abastecido. As estimativas de consultorias privadas e órgãos oficiais apontam para mais um ciclo histórico de disponibilidade física da oleaginosa, ancorado principalmente no protagonismo do agronegócio brasileiro, responsável atualmente por mais de 40% de toda a soja produzida no planeta.
