A irregularidade e os baixos acumulados de precipitação continuam ditando a velocidade dos trabalhos de campo em Mato Grosso. Dados operacionais consolidados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta sexta-feira (02/10) indicam que a semeadura da soja para a safra 2026/2027 atingiu 10,23% da área total projetada no estado. O índice representa uma evolução semanal de 6,36 pontos percentuais, mas consolida uma defasagem de 4,79 pontos percentuais em comparação com o ritmo verificado em igual intervalo do ciclo 2025/2026.
De acordo com a analista de agricultura do Imea, Milena Bezerra, os produtores mantêm uma postura de cautela técnica, subordinando a entrada massiva de máquinas à recomposição da umidade útil no perfil do solo para evitar o risco de dessecação das sementes.
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No recorte regional, a porção Oeste de Mato Grosso destacou-se com a maior intensidade operacional na última semana de setembro, registrando um salto semanal de 10,86 pontos percentuais graças a pancadas mais frequentes. Com esse avanço, a região alcançou 18,42% da área semeada, sustentando a dianteira isolada entre as macrorregiões do estado.
Grandes grupos lideram em Campo Novo do Parecis e espera por chuvas
O levantamento do Imea aponta que o avanço verificado até agora nos municípios decorre majoritariamente de decisões operacionais tomadas por megagrupos agrícolas dotados de grande capacidade mecânica instalada. O município de Campo Novo do Parecis exemplifica esse comportamento no campo: enquanto corporações com estrutura de irrigação ou alto poder de replantio aceleram a dessecação e o plantio no pó, os médios e pequenos produtores preferem reter as sementes nos barracões até a confirmação de frentes chuvosas mais consistentes.
Apesar da defasagem observada frente ao calendário da temporada anterior, Milena Bezerra enfatiza que a janela agronômica segue aberta e que o quadro pode ser revertido rapidamente com a normalização das precipitações:
“Apesar do atraso, a semeadura ainda está na fase inicial e, com a regularização das chuvas, o ritmo tende a acelerar, permitindo recuperar parte da diferença nas próximas semanas”, explica a analista do Imea.
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