O mercado de lima ácida tahiti no estado de São Paulo opera sob um cenário de forte polarização de preços em função da classificação por calibre. Levantamento divulgado pela equipe de Hortifrúti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) revela que a elevada concentração de frutas miúdas vem exercendo pressão negativa direta sobre as cotações nas principais praças de comercialização do setor.
O aumento expressivo no volume de frutos de menor calibre decorre da postura comercial adotada por parte dos citricultores paulistas, que optaram por adiantar os trabalhos de colheita nos pomares. A motivação dos produtores está associada ao receio de desvalorizações mais acentuadas com o ingresso formal da nova safra, o que estimulou a apanha precoce e inundou o mercado com frutas ainda pequenas.
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Em contrapartida, o segmento de calibres graúdos apresenta comportamento oposto. Pesquisadores do Cepea destacam que a procura por frutos maiores segue aquecida e consistente, tanto nos centros atacadistas domésticos quanto nos canais voltados ao embarque para exportação. Compradores e empacotadoras relatam entraves para encontrar volumes suficientes que atendam às exigências desse padrão, quadro que sustenta as cotações em níveis mais elevados.
Efeitos na oferta das próximas semanas
A antecipação dos trabalhos de campo tende a gerar desdobramentos operacionais no médio prazo. Segundo a análise técnica do centro de pesquisas, ao recolher a fruta antes do desenvolvimento pleno, reduz-se o contingente de produção que permaneceria nas copas para atingir calibres superiores. Esse movimento pode enxugar ainda mais a disponibilidade futura de limões graúdos nos pomares.
Para os próximos dias, o Cepea projeta a permanência da trajetória de baixa para as frutas miúdas devido ao excesso de oferta. Já para os lotes de melhor padrão físico e calibre mais desenvolvido, a combinação de estoque restrito e demanda firme deve atuar como amortecedor, limitando qualquer movimento de recuo nos preços praticados.
