A semeadura da soja para a temporada 2026/27 entrou em sua fase conclusiva em Mato Grosso. Dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que os trabalhos de campo alcançaram 89,05% da área total estimada no estado, registrando um salto expressivo de 13,24 pontos percentuais na comparação com a semana precedente. O ritmo vigoroso das plantadeiras garante uma perspectiva bastante favorável para a instalação das culturas de segunda safra, como o milho safrinha e o algodão, dentro da melhor janela de plantio no início de 2027.
O recorte regional evidencia que o principal polo produtivo estadual está prestes a concluir as operações: no Médio-Norte mato-grossense, 99,71% das áreas já foram cobertas. Os saltos semanais mais acentuados ocorreram nas regiões Sudeste e Centro-Sul, que avançaram 22,34 e 21,25 pontos percentuais, respectivamente, refletindo a corrida dos produtores para aproveitar a umidade favorável do solo.
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De acordo com Milena Bezerra, analista de soja do Imea, o comportamento do clima no último mês foi determinante para destravar o plantio, contrapondo o início de ciclo pautado pela cautela nas fazendas. As operações haviam começado na segunda quinzena de setembro, mas mantiveram ritmo lento nas primeiras três semanas pela escassez de precipitações. Diante da baixa retenção hídrica no perfil do solo, os agricultores optaram por reter os maquinários nos pátios para não correr riscos de dessecação das sementes.
Estabelecimento uniforme e ausência de ressemeadura
Com a consolidação e a melhor distribuição das chuvas ao longo de outubro, o cenário mudou rapidamente. Na região Noroeste, a reposição da umidade viabilizou a retomada das frentes de plantio. Nas praças onde a semeadura está mais adiantada, a tendência agora é de desaceleração natural, em virtude do volume residual de talhões a serem semeados.
No panorama geral de Mato Grosso, o Imea relata que as lavouras implantadas exibem excelente vigor vegetativo e boa uniformidade de estande, sem registros expressivos de necessidade de ressemeadura, um indicador agronômico fundamental para a preservação do teto produtivo e contenção de custos de defensivos e sementes.
Atenção aos efeitos do El Niño
Mesmo com o cronograma de plantio atendendo ao planejamento operacional original, os fatores meteorológicos seguem como ponto de vigilância contínua para o agronegócio mato-grossense.
“Diante desse cenário, a semeadura se desenvolve de forma positiva, mas vale ressaltar que a safra ocorre sob a influência do El Niño, reforçando a importância do acompanhamento das condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras”, adverte a analista Milena Bezerra.
O encerramento antecipado e ordenado das áreas de soja cumpre um papel estratégico: ao possibilitar a colheita entre janeiro e fevereiro, confere margem de segurança climática para que os produtores instalem o milho e a pluma de segunda safra sem a ameaça do corte precoce de chuvas em abril e maio de 2027.
