O processamento industrial de soja em Mato Grosso atingiu o maior patamar de sua série histórica no acumulado de janeiro a setembro de 2026. Conforme levantamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as indústrias esmagadoras estabelecidas no estado processaram 10,42 milhões de toneladas da oleaginosa no período, resultado que representa uma expansão de 4,74% em relação ao montante verificado nos primeiros nove meses de 2025.
De acordo com a análise técnica do instituto, a performance inédita é reflexo direto da ampla disponibilidade física do grão no mercado doméstico ao longo das últimas duas temporadas. O suprimento elevado, proporcionado por safras robustas no campo, veio acompanhado de significativos ganhos de eficiência operacional nas unidades fabris, que ampliaram as taxas de utilização da capacidade estática de esmagamento.
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As expectativas mantêm-se otimistas para o encerramento do exercício. O Imea projeta que o processamento estadual alcance 13,66 milhões de toneladas no fechamento do ano comercial, consolidando um crescimento anual de 5% sobre 2025 e formalizando um novo recorde na agroindústria de Mato Grosso.
Para a coordenadora de inteligência econômica do Imea, Laysa Avalos, a convergência entre matéria-prima farta e investimento industrial sustenta o ciclo positivo.
“A maior disponibilidade de soja permite que as indústrias mantenham volumes elevados de atividade, enquanto o uso mais eficiente da capacidade instalada favorece o avanço do processamento. Esse cenário ajuda a explicar o recorde alcançado nesse acumulado de 2026”, destaca Avalos.
Paradas programadas e força da agregação de valor
No desempenho isolado do mês de setembro, o estado esmagou 1,01 milhão de toneladas, marcando um recuo de 12,80% na comparação com os números consolidados de agosto. O arrefecimento mensal decorreu do calendário sazonal de manutenção preventiva e reformas técnicas, comuns nas unidades de extração nesta época do ano, fator conjuntural que não interferiu na trajetória sólida de crescimento do acumulado anual.
“O avanço do esmagamento demonstra o potencial de Mato Grosso para transformar parte da produção agrícola em produtos industrializados no próprio território. Esse processo amplia as possibilidades de agregação de valor à soja e contribui para fortalecer a cadeia produtiva estadual”, enfatiza a coordenadora.
A expansão da atividade processadora produz efeitos dinâmicos transversais na economia regional, estimulando setores correlatos de serviços, transporte especializado e geração de postos de trabalho qualificados. Por meio do esmagamento, a soja é desmembrada em óleo bruto e refinado — matérias-primas vitais para a indústria de alimentos e para a fabricação de biodiesel — e farelo com alta concentração proteica, insumo essencial para a formulação de rações destinadas às cadeias de suinocultura, avicultura e confinamento de bovinos de corte.
