Segundo dados consolidados na 331ª edição do informativo semanal divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o ritmo dos trabalhos agrícolas registou forte aceleração nas principais regiões produtoras de Mato Grosso. A sementeira da safra 2026/27 de soja alcançou 75,81% da área total estimada até a última sexta-feira (23), após um salto semanal expressivo de 23,95 pontos percentuais.
Apesar do início tardio provocado pela estiagem, o ritmo das máquinas recuperou o atraso histórico. O Médio-Norte permanece na dianteira estadual com 96,60% dos talhões semeados, seguido pelo Oeste com 86,78%. Caso a velocidade operacional seja mantida, a cobertura deve ultrapassar os 80% nos próximos dias, garantindo a instalação da maior parte do milho safrinha dentro do calendário agronómico ideal de 2027.
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Liderança no etanol de milho e processamento industrial
No complexo dos cereais, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilados pelo instituto mostram que a produção brasileira de etanol totalizou 14,51 milhões de metros cúbicos entre julho e setembro de 2026, com ligeira expansão anual de 0,80%. O milho respondeu por cerca de 2,90 milhões de metros cúbicos desse montante, o que representa um avanço de 23,71% face a igual intervalo de 2025 e eleva a participação do cereal para 20,00% do total produzido no país. Mato Grosso consolidou a hegemonia nacional no segmento ao produzir 1,76 milhão de metros cúbicos, equivalente a 60,72% de todo o biocombustível de milho fabricado no Brasil.
No setor industrial esmagador de soja em Mato Grosso, o processamento somou 858,42 mil toneladas em setembro, retração de 25,70% na comparação com agosto decorrente de paralisações para manutenções programadas em diversas plantas. Contudo, no acumulado de janeiro a setembro de 2026, o processamento atingiu 10,27 milhões de toneladas, mantendo um saldo positivo de 3,25% sobre o mesmo período do ano anterior.
Panorama pecuário e alerta sanitário na avicultura
No setor da pecuária bovina, a média diária das exportações brasileiras de carne bovina in natura na parcial de outubro subiu 4,05% em relação a setembro, mas apresentou recuo de 33,72% frente a outubro de 2025, diante de uma base de comparação elevada e de compras mais brandas por parte da China. O volume mensal é projetado em 202.79 mil toneladas (-36,73%), compensado em parte pela valorização de 13,46% no preço médio pago pelo mercado externo, que atingiu US$ 6.284,31 por tonelada.
A suinicultura em Mato Grosso registou valorização no mercado físico, com o animal vivo pago ao produtor cotado a R$ 6,11 por quilo (+5,13% na semana) e a carcaça comum negociada em média a R$ 9,77 por quilo (+1,76%), impulsionadas pelo aumento no consumo interno estadual.
Na avicultura, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a identificação de um foco da Doença de Newcastle numa granja comercial em Santa Catarina. Em resposta imediata, China, Arábia Saudita e Chile restringiram embarques procedentes apenas de frigoríficos catarinenses, enquanto México e Malásia aplicaram suspensões temporárias a toda a carne de aves oriunda do território brasileiro. O Ministério da Agricultura reforçou o rigor dos controlos sanitários e a total segurança dos produtos sob fiscalização oficial.
Pressão logística nos fretes rodoviários
O aquecimento do fluxo de escoamento no campo provocou nova alta nas tabelas de fretes rodoviários de grãos na maior parte das rotas mato-grossenses. A combinação entre maior volume a transportar e restrição na frota de camiões disponíveis sustentou valores elevados. O trajeto entre Campo Novo do Parecis (MT) e o porto de Santos (SP) registou cotação média de R$ 513,00 por tonelada (+1,91%), enquanto a ligação entre Querência (MT) e Colinas do Tocantins (TO) avançou para R$ 275,85 por tonelada (+1,10%).
