A citricultura do estado da Flórida, historicamente o coração da produção de suco de laranja dos Estados Unidos, deve aprofundar sua trajetória de retração na safra 2027/28. De acordo com a primeira estimativa oficial divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do estado norte-americano está projetada em apenas 10 milhões de caixas — um tombo de 23% em relação à temporada anterior. O cenário consolida uma mudança estrutural na oferta global e amplia o papel estratégico do Brasil como garantidor essencial do consumo norte-americano, aponta o relatório Agro Mensal, publicado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
O recuo severo é resultado cumulativo de perdas meteorológicas frequentes e da proliferação descontrolada do greening (Huanglongbing/HLB), enfermidade bacteriana incurável que degrada a produtividade dos pomares e acelera a mortalidade de árvores adultas.
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A crise fitossanitária reflete diretamente no encolhimento da malha agrícola: em 2026, a Flórida computou 51,3 mil hectares em fase produtiva, retração de 24% em apenas doze meses. Quando confrontado com os dados de 2015, período em que o estado mantinha 164 mil hectares dedicados à citricultura, o recuo acumulado atinge 69%.
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Enquanto a oferta norte-americana se esvazia, as indústrias processadoras do Brasil aceleram os envios ao exterior. Em setembro, as exportações brasileiras de suco de laranja totalizaram 96 mil toneladas equivalentes em FCOJ (suco concentrado e congelado), uma alta de 78% na comparação direta com agosto. O desempenho representa o maior volume mensal embarcado pelo país nos últimos 23 meses. No acumulado do primeiro trimestre da safra 2026/27, os embarques ao mercado internacional avançaram cerca de 12% frente a igual período do ano precedente.
"A contínua redução da capacidade produtiva da Flórida reforça a dependência dos Estados Unidos das importações de suco. Nesse contexto, o Brasil permanece como fornecedor estratégico para o abastecimento do mercado norte-americano e tende a seguir desempenhando papel central no equilíbrio da oferta global", analisa Wharlhey Nunes, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.
A retração da safra norte-americana deve sustentar as cotações internacionais do suco de laranja nos principais terminais de commodities, garantindo liquidez e margens positivas para a citricultura brasileira no médio prazo.
