A indefinição sobre o volume orçamentário destinado às rodovias federais catarinenses para o exercício de 2027 e os impactos operacionais decorrentes da aprovação do fim da jornada de trabalho na escala 6x1 dominaram as discussões da reunião do Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (Cofem). O encontro ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis.
A ausência de clareza sobre o montante que a União direcionará à malha rodoviária do estado preocupa as lideranças econômicas. Rodovias estratégicas para o escoamento agroindustrial e manufatureiro — como as BRs 470, 280 e 282 — dependem de aportes continuados de infraestrutura para evitar a deterioração do pavimento e garantir fluidez logística. Segundo o conselho, a precariedade dessas artérias coloca em risco a competitividade de Santa Catarina no mercado nacional e exterior.
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O fator segurança viária foi apontado como ponto crítico: o estado registra atualmente 18 óbitos a cada 100 quilômetros de rodovias federais, índice que representa o dobro da média nacional, situada em nove mortes por 100 quilômetros.
O quadro logístico é agravado pelo clima adverso: o aumento de chuvas intensas associadas ao fenômeno El Niño tem provocado restrições de calado e manobra nos complexos portuários catarinenses, gerando atrasos em cascata, cancelamentos de atracações e custos extras de sobre-estadia para os exportadores.
Impactos da escala 6x1 e custos trabalhistas
A tramitação no Senado Federal referente à extinção da jornada 6x1 foi tratada pelo setor produtivo como um complicador direto para a sustentabilidade empresarial. Os dirigentes destacaram que Santa Catarina e o país já enfrentam escassez crônica de mão de obra qualificada, tornando a reposição de quadros e novas contratações um desafio severo, especialmente para micro e pequenas empresas do comércio e dos serviços.
Levantamento técnico elaborado pela Fiesc aponta severos impactos econômicos para o estado, projetando uma elevação média de 11,4% no custo da mão de obra para as empresas catarinenses, o risco de extinção de até 41,4 mil postos formais de trabalho em Santa Catarina e o desaparecimento potencial de 19,1 mil vagas somente no parque fabril e industrial.
