Mato Grosso registrou o melhor desempenho nas vendas externas de carne de frango dos últimos nove anos no acumulado de janeiro a setembro de 2026, despachando 90,12 mil toneladas da proteína para os portos internacionais. O volume consolida um salto de 24,42% na comparação com igual período do ano anterior, de acordo com relatório técnico do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), publicado na edição 330 do boletim Imea Informa.
Segundo o analista do Imea para os setores de aves, suínos e leite, Felipe Andrade, o avanço expressivo decorre em parte da base comparativa de 2025, afetada por bloqueios comerciais entre maio e agosto após registros de gripe aviária no país. O fluxo atual superou inclusive gargalos na rota do Oriente Médio provocados por tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz, que afetaram as trocas com os Emirados Árabes Unidos.
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"Mesmo com os impactos no comércio com o Oriente Médio, Mato Grosso mantém um bom ritmo de exportações, com a Ásia e os países do Oriente Médio entre os principais destinos da carne de frango do estado", avalia Andrade.
Do montante total escoado pelas indústrias mato-grossenses:
Arábia Saudita: liderou as importações com 27,34 mil toneladas;
Hong Kong e China: responderam conjuntamente por 10,77 mil toneladas;
Emirados Árabes Unidos: figuraram como terceiro principal parceiro comercial, absorvendo 10,37 mil toneladas.
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Os números compilados pelo Imea a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam que o comércio exterior segue aquecido no início do quarto trimestre. Nos primeiros sete dias úteis de outubro, a receita média diária nacional alcançou US$ 53 milhões (+46,84%), com embarque diário médio de 27,60 mil toneladas (+28,12%), totalizando 193,21 mil toneladas enviadas pelo Brasil no recorte inicial do mês.
A expansão do apetite global movimenta os polos produtores do interior do estado. Em Nova Mutum, o avicultor integrado Paulo André Zen opera dois núcleos com quatro aviários e capacidade para 140 mil aves por lote, entregando em média 5,8 ciclos ao ano com intervalos de vazio sanitário de 15 dias.
"O aumento do consumo de carne de frango no mercado internacional é positivo, pois cria perspectivas de fortalecimento da parceria com a empresa integradora e de expansão da atividade. No entanto, o aquecimento do mercado não se traduz imediatamente em ganhos para nós, produtores. Isso porque o processo de negociação com a empresa é lento, o que faz com que os reflexos da maior demanda levem tempo para chegar à ponta produtora", pondera o produtor.
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O setor também monitora os efeitos indiretos do foco da doença de Newcastle registrado em Santa Catarina, que levou o governo mexicano a suspender temporalmente produtos avícolas brasileiros. Por se tratar de enfermidade viral contagiosa restrita a aves, sem contaminação alimentar para humanos, a regionalização dos embargos resguardou o Centro-Oeste.
Mato Grosso não tem registros sanitários da moléstia e mantém exposição comercial mínima ao México, país que representou apenas 1,59% das exportações estaduais de frango em 2026. A China, por sua vez, optou por circunscrever o embargo exclusivamente às plantas frigoríficas de Santa Catarina. O Sistema Famato mantém o apelo para que os integrados reforcem a biosseguridade e o controle de acesso nos galpões.
