Os preços médios recebidos pelos produtores agropecuários no estado de São Paulo fecharam o mês de agosto com trajetórias divergentes entre as atividades, marcados pela disparada expressiva do limão-taiti, da mandioca e do trigo. De acordo com o levantamento mensal elaborado pelo Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), o limão-taiti liderou as valorizações estaduais ao registrar salto mensal de 87,0%, atingindo a cotação média de R$ 104,04 por caixa de 27 quilos. Quando confrontado com o cenário de seis meses atrás, o produto acumula uma valorização de 365,2%, impulsionado pelo pico da entressafra e pela oferta extremamente escassa nos pomares.
A mandioca em raiz figurou na segunda colocação entre as maiores valorizações, avançando 33,4% no mês e alcançando R$ 501,88 por tonelada. Dados referendados pela Conab mostram que a entrega da matéria-prima operou sistematicamente abaixo da capacidade de absorção das fecularias e farinheiras, resultado da opção dos produtores em segurar lavouras jovens de primeiro ciclo em razão da baixa rentabilidade e na expectativa de preços mais atrativos em setembro. Na sequência, o trigo em grão registrou alta de 22,7%, cotado a R$ 82,23 por saca de 60 quilos, sustentado pela menor oferta interna e pela paridade de importação encarecida.
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O balanço positivo da Faesp em agosto contemplou ainda valorizações no arroz em casca (+16,3%), tomate (+14,8%), batata-doce (+13,6%), leite (+4,7%), soja (+4,4%), milho (+3,3%), algodão em pluma (+3,2%), boi gordo (+3,1%), café arábica (+2,8%), ovos (+2,6%) e bezerro (+0,7%).
Cana-de-açúcar e folhosas amargam retração
No extremo oposto, a cana-de-açúcar respondeu pela retração mais severa entre todos os produtos monitorados pela entidade, despencando 21,9% no mês, com o valor médio negociado a R$ 107,16 por tonelada. O desaquecimento decorreu da combinação de impactos climáticos no processamento, aumento dos estoques nas usinas diante do ganho de espaço de mercado do etanol de milho frente ao de cana e atrasos nos repasses referenciais do Consecana-SP.
O cinturão verde paulista também observou forte recuo nos preços das folhosas: as alfaces americana e crespa caíram 18,8% e 21,1%, respectivamente. O clima favorável encurtou o ciclo vegetativo das hortaliças, resultando em concentração de colheita e excedente no atacado. Ainda assim, na comparação anual, ambas acumulam ganhos de 27,0% e 74,9%.
Completando o quadro deflacionário de agosto, o índice da Faesp apontou quedas no feijão (-18,4%), banana-prata (-8,2%), laranja-pera (-6,9%), banana-nanica (-5,1%), suíno (-4,4%), frango vivo (-3,8%), borracha natural (-3,5%), tilápia (-2,9%), sorgo (-1,2%), amendoim (-0,8%) e laranja para indústria (-0,8%).
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