O agronegócio brasileiro consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos principais pilares da economia nacional e um dos maiores fornecedores de alimentos, fibras e energia para o mercado mundial. A incorporação de tecnologias, o avanço do melhoramento genético, a intensificação do manejo agronômico e a expansão das áreas cultivadas permitiram ao País alcançar sucessivos recordes de produção de grãos.
Entretanto, esse crescimento não foi acompanhado, na mesma intensidade, pela expansão da infraestrutura de armazenagem, resultando em um dos principais gargalos estruturais da cadeia logística do agronegócio brasileiro. A avaliação é dos engenheiros agrônomos Lucas Lopes de Castro, especialista em Gestão do Agronegócio da FAEG, e Heitor Fonseca, especialista em Gestão de Armazéns de Grãos do SENAR.
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Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o Brasil apresenta atualmente um déficit de 133,8 milhões de toneladas em capacidade estática de armazenagem. Mantidas as atuais taxas de crescimento da produção agrícola, estima-se que esse déficit possa atingir 180 milhões de toneladas até 2030.
Esse cenário decorre do descompasso entre a expansão da produção de grãos — que cresce entre 3,5% e 5,0% ao ano — e a evolução da capacidade armazenadora, cuja taxa média permanece em torno de 2,3% ao ano. "A necessidade de ampliação da infraestrutura torna-se mais evidente diante das estimativas do 10º Levantamento da Safra 2025/2026 da Conab, que projeta uma produção de 360,1 milhões de toneladas de grãos, cultivadas em uma área de 83,5 milhões de hectares", salientam os especialistas.
Panorama nacional e o cenário em Goiás
O Brasil conta atualmente com 12.142 unidades armazenadoras, totalizando uma capacidade estática de 226,37 milhões de toneladas. A distribuição dessa infraestrutura evidencia sua forte concentração nos principais polos produtores: Mato Grosso lidera o ranking nacional com 58,34 milhões de toneladas, seguido por Paraná (34,02 mi/t), Rio Grande do Sul (33,61 mi/t) e Goiás (18,46 mi/t).
Em Goiás, quinto maior produtor do País — com 7,9 milhões de hectares cultivados e safra estimada em 33,1 milhões de toneladas —, a evolução da estocagem seguiu a tendência nacional, porém em ritmo inferior. "A capacidade estática goiana passou de 12,7 milhões de toneladas em 2010 para 18,4 milhões de toneladas em 2026, correspondendo a um aumento de 5,7 milhões de toneladas — crescimento aproximado de 44,9%, enquanto a média nacional avançou 60,9% no mesmo período", observam Lucas e Heitor.
A estrutura armazenadora de Goiás apresenta diversidade de modalidades para atender a diferentes estratégias comerciais:
Armazéns graneleiros: 300 unidades (9,5 milhões de toneladas de capacidade);
Armazéns convencionais, estruturais e infláveis: 746 unidades (8,2 milhões de toneladas);
Silos: 91 unidades (aproximadamente 697 mil toneladas).
No cenário estadual, o município de Rio Verde consolida-se como o principal polo de armazenagem de grãos, reunindo 129 unidades e capacidade instalada de 2,73 milhões de toneladas. Na sequência destacam-se Jataí (62 unidades e 1,69 milhão de t), Cristalina (123 unidades e 959 mil t) e Montividiu (40 unidades e 874 mil t).
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