O trigo no Sul do Brasil enfrenta geadas, excesso de oferta e mercado travado, com plantio finalizado e incertezas sobre a produção
O trigo no Sul do Brasil enfrenta desafios distintos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o plantio está tecnicamente encerrado, mas, ainda assim, os números geram dúvidas entre analistas, segundo análise da TF Agroeconômica.
Enquanto a Emater-RS aponta uma produção potencial de 3,59 milhões de toneladas, por outro lado, o mercado projeta até 2,88 milhões. Essa diferença se deve, em parte, ao risco de geadas que ameaça cerca de 75% das lavouras.
Em Santa Catarina, os moinhos mantêm o consumo de estoques. Portanto, as compras ocorrem apenas por necessidade ou oportunidade. Além disso, os preços seguem pressionados pela oferta de trigo gaúcho, o que mantém o cenário de baixa volatilidade.
O cenário permanece estável. Contudo, a redução nas vendas de sementes e a queda de produtividade estimada pela Conab indicam menor produção neste ciclo. Por isso, o setor acompanha atentamente os desdobramentos.
No Paraná, o trigo sofreu com a geada de junho. Como resultado, as perdas já somam 84 mil toneladas. A região Norte foi a mais afetada. Assim, a estimativa atual é de 2,6 milhões de toneladas para o estado.
Apesar disso, a situação das lavouras é considerada boa em 83% das áreas. Ademais, a colheita deve começar em agosto, o que permitirá avaliar melhor os prejuízos. Dessa forma, os produtores esperam definir estratégias mais claras para o restante do ciclo.
A comercialização de trigo no Sul está travada. Por isso, compradores buscam apenas volumes pontuais, evitando compromissos maiores. Além disso, os moinhos relatam margens apertadas e moagem reduzida.
Os preços internos variam conforme a qualidade e a localização dos lotes. Portanto, as negociações seguem pontuais e concentradas em entregas para setembro. Em suma, o mercado permanece cauteloso diante das incertezas.