Farsul avalia impactos da crise na Venezuela ao agro gaúcho
Relatório analisa os impactos da crise na Venezuela sobre o comércio com o RS, com destaque para o arroz e o setor de fertilizantes
Venezuela segue entre os principais destinos do arroz exportado pelo Rio Grande do Sul. Foto: Farsul / Divulgação
Diante da crise geopolítica que se intensificou na Venezuela no início de janeiro, a equipe econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou um relatório sobre as relações comerciais entre o estado e o país vizinho. O documento também aponta possíveis impactos para o agronegócio gaúcho.
O estudo considera dados do período entre 1997 e 2025 e mostra que, ao longo dos anos, as exportações brasileiras para a Venezuela perderam força. Segundo a Farsul, cada mudança de governo no país contribuiu para a redução do valor e do volume comercializado.
Histórico das exportações ao longo dos governos
Entre 1997 e 1998, durante o governo Caldera, as exportações brasileiras para a Venezuela cresceram 66% em valor e 56% em volume. Já no período de Hugo Chávez, entre 1999 e 2013, o avanço foi menor, com altas de 25% no valor e de 19% no volume.
Por outro lado, no governo Maduro, de 2013 a 2025, o comércio apresentou retração. Nesse intervalo, houve queda de 13% no valor exportado e de 4% no volume, evidenciando a perda gradual de relevância do país como destino das vendas brasileiras.
Em 2025, a Venezuela respondeu por apenas 0,4% do valor e do volume das exportações do Brasil. No caso do Rio Grande do Sul, entretanto, a participação foi um pouco maior. As vendas ao país somaram US$ 85 milhões, o equivalente a 0,6% do total exportado pelo estado. Em volume, foram embarcadas 186 mil toneladas, o que representa 0,9%.
Arroz e fertilizantes concentram atenção
O relatório ressalta que o arroz merece atenção especial. Historicamente, a Venezuela é um dos principais destinos do cereal gaúcho. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 390 milhões em arroz, sendo US$ 50 milhões destinados ao mercado venezuelano. Esse volume corresponde a 13% do total comercializado e coloca o país como o segundo principal destino do grão. Em termos de volume, foram 1,06 milhão de toneladas, ou 16% das exportações do produto.
Além disso, a Farsul alerta para possíveis reflexos no mercado de fertilizantes, cujo custo está diretamente ligado ao preço do petróleo. Entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil importou US$ 14,3 bilhões em fertilizantes. Desse total, apenas US$ 126 milhões tiveram origem na Venezuela, o que representa 0,9% do valor importado. Em volume, foram 320 mil toneladas, equivalente a 0,77%.
Na comparação com o mesmo período de 2024, as exportações venezuelanas de fertilizantes para o Brasil caíram 20,6% em valor e 35,5% em volume. Diante desse cenário, a Farsul avalia que a crise no país vizinho não deve provocar impactos significativos no agronegócio brasileiro. Ainda assim, a entidade recomenda atenção ao setor energético, que pode ser mais sensível aos desdobramentos do cenário internacional.
