Demanda fraca por cacau mantém pressão sobre preços
Quedas na moagem na Europa e na Ásia reforçam enfraquecimento da demanda e mantêm viés baixista para o cacau, apesar da firmeza das importações nos EUA
Demanda enfraquecida nas principais regiões processadoras mantém os preços do cacau pressionados no mercado internacional. Foto: Canva
A demanda global por cacau perdeu força no fim de 2025 e continua pressionando os preços em 2026. Dados de moagem do quarto trimestre reforçam esse cenário, sobretudo na Europa. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mostram maior firmeza nas importações, mas isso não muda o viés ainda baixista do mercado, segundo análise da Hedgepoint Global Markets.
Na sexta-feira, 16 de janeiro, os contratos fecharam a 5.076 USD por tonelada em Nova York e 3.712 GBP por tonelada em Londres. O mercado acumulou mais uma semana de queda e atingiu os menores níveis em dois anos. Esse movimento ganhou força após a divulgação dos resultados de moagem do quarto trimestre de 2025 nas principais regiões processadoras.
Europa lidera recuo na moagem
A Europa, maior polo processador de cacau do mundo, registrou forte retração. Dados da Associação Europeia do Cacau mostram queda de 8,3% na moagem do quarto trimestre frente ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, a retração chegou a 6,1%.
Os números superaram as estimativas do mercado e reforçaram a leitura de demanda enfraquecida. Nesse contexto, os preços chegaram às mínimas de 4.839 USD em Nova York e 3.572 GBP por tonelada em Londres na sessão de quinta-feira, 15 de janeiro.
Segundo Carolina França, analista da Hedgepoint, as importações líquidas de amêndoas de cacau na região recuaram 5,6% em 2025. No quarto trimestre, a queda foi de 8,9% na comparação anual, após alta de 6,4% no trimestre anterior. Embora esses dados não indiquem impacto direto sobre a moagem, eles reforçam um ambiente de preços elevados e oferta restrita ao longo do ano.
Estoques seguem pressionados
A dinâmica dos estoques também ajuda a explicar o cenário. Historicamente, o terceiro trimestre apresentava recomposição. No entanto, esse padrão se rompeu a partir de 2023, quando o período passou a registrar saídas líquidas.
Em 2025, o fluxo do terceiro trimestre continuou negativo. Ainda assim, o maior volume de importações ajudou a reduzir a intensidade da saída de estoques. Mesmo assim, o padrão histórico não se restabeleceu.
De acordo com a analista, os preços elevados limitam a recomposição dos estoques e deixam a moagem mais sensível à disponibilidade de matéria-prima. Com isso, a demanda segue cautelosa. Na Ásia, a moagem do quarto trimestre caiu 4,82% na comparação anual, com destaque para a Malásia, que também apresentou resultado abaixo das expectativas.
EUA vão na contramão
Em contraste, a América do Norte mostrou leve avanço. Dados da Associação Nacional de Confeiteiros indicam alta de 0,35% na moagem do quarto trimestre frente ao mesmo período de 2024. Nos Estados Unidos, as importações líquidas de cacau somaram 238,7 mil toneladas até outubro, contra 42,5 mil toneladas no mesmo intervalo do ano anterior.
Apesar desse suporte, o mercado segue com viés baixista. A pressão vem do enfraquecimento da demanda nas principais regiões processadoras e da expectativa de produção melhor no ciclo 2025/26. Além disso, o posicionamento dos fundos mostra aumento das posições líquidas vendidas em Nova York e Londres.
Espaço para correções no curto prazo
Mesmo assim, o mercado pode registrar ajustes pontuais. O Índice de Força Relativa se aproxima da zona de sobrevenda nos dois mercados. Dessa forma, mudanças no posicionamento dos fundos, fatores técnicos ou alterações climáticas nas regiões produtoras podem gerar correções e maior volatilidade no curto prazo.
Ainda assim, esses movimentos não indicam, por enquanto, uma mudança estrutural do viés que segue baixista.
