Entenda o mercado das commodities nesse início de 2024

Quebra de safra, preços desabando e produtores rurais indignados. Especialista fala sobre o cenário global e o histórico de 2023 para explicar o comportamento dos preços nesse início de ano

Publicado em 28/01/2024

Olá amigos do Portal RuralNews! Estamos aqui novamente com a nossa análise de mercado de grãos. Vamos ver como as commodities se comportando em Chicago.. E para isso nós contamos com a ajuda do Luiz Fernando Pacheco, da TF Consultoria de Curitiba. Seja muito bem vindo novamente aqui com a gente no Portal Rural News!

Boa tarde pessoal e obrigado.

E a gente está notando essa semana um comportamento diferente, atípico lá na bolsa de Chicago, né, Fernando? Entre altos e baixos no mercado, anda tudo um pouco estranho. Os produtores rurais não estão entendendo muito bem o que tá acontecendo aí. Revoltados com os preços baixos que no Brasil é a real. E aí é o que está acontecendo a Bolsa de Chicago?

É, a gente essa semana ainda teve alguns picos, algumas paradas ali de de preço e tal, algumas reações da bolsa, mas de forma geral, principalmente para o milho, para soja e o mercado está muito pressionado porque tem uma grande quantidade de grãos disponíveis no mundo ainda. Os Estados Unidos quinta feira teve um relatório de vendas para soja abaixo do esperado pelo mercado de milho dentro do esperado, mais abaixo do ritmo que eles precisam vender pela supersafra que eles tem.

Então, do ponto de vista do comprador, tem muita disponibilidade de grãos para as pessoas conseguem achar grão fácil. E aí, normalmente, nesse primeiro semestre, o mundo começa a voltar os olhos para a produção brasileira, para o começo da nossa colheita e acaba segurando um pouco mais também as compras para poder ter uma disponibilidade de um outro grão um pouco mais barato.
Então, juntando tudo isso, as duas commodities estão muito pressionadas. O trigo. Ele está sendo segurado por causa disso. Ele já era para estar no momento histórico dele, um pouco mais, num patamar um pouco mais alto, ele fechou uma queda, pois foi o único grão que fechou numa queda na sexta feira. Mais a semana em alta, né? Enquanto a soja fechou em baixa e eu e o milho ali, dependendo do mês que foi bem negociado, fechou uma pico, uma leve alta, uma leve baixa, mas nada mais do que meio por cento mais que 0,1%.

Dados pouquinha coisa. A gente notou na quinta feira teve uma alta grande devido a alguns efeitos aí de mercado, mas você acha que esse isso é essa tendência de manutenção dos preços vai se manter por algum tempo e a gente não tem uma previsão a curto prazo, principalmente própra para a soja, para o milho, de uma melhora na perspectiva de preços.

Se você pensar, está todo mundo agora dessa coisa sem a safra do Brasil de soja, vai ser menor, a safra de milho vai ser menor. E ainda tem gente aí noticiando que não vai ter trigo o suficiente de trigo no milho no Brasil, o suficiente. Então é um absurdo a possibilidade. E é só se a gente não plantasse nada pro milho safrinha e se a gente queimasse 100% dos nossos estoques.
Agora, então, não tem como. A gente não tem nessa hora, já que vai ter uma redução grande em relação à safra anterior de milho, com certeza. Soja A gente ainda tem um impasse, né? Porque aí a gente vai com a gente, está com quebra em relação ao que plantou, não o que vai colher em relação ao ano passado.

Então a gente, pelos dados oficiais, a gente ainda está com números próximos. E aí a gente tem um fator argentino. A Argentina está com a safra cheia depois de cinco anos de seca. Então eles vão ter muita disponibilidade de grãos. Assim, estão mais ágeis nas piores empresas. Hoje jogam para baixo aí umas 15, 20 milhões de toneladas. No Brasil, Argentina vai ter 25 milhões de toneladas de soja disponível.

Então a gente volta ao mesmo ponto para o comprador e ele vai chegar. Se ele chega no mercado e não tem determinada marca que ele tem, mas tem a outra marca e ele vai ter o preço mais ou menos igual, ele vai comprar igual. Ele tem a disponibilidade do produto. Ele não precisa se preocupar com a escassez desse produto e essa.
Interessante que essa situação aí causa uma revolta no produtor rural aqui no Brasil, né Fernando? Que ele vê aí a quebra aí. Para ele existe uma falta de produto no mercado e devia estar sendo valorizado mais o milho, quando na verdade a gente tem conta aí também. E se essa questão da safra anterior, que foi uma boa safra e esse ano aí, somando se é como você falou, está sobrando produto no mercado, sobrando milho e trigo e soja.

E então a gente faz o acompanhamento diário nos nossos boletins e aí a gente segue, a gente acaba lendo outras publicações também, Aí a gente acaba vendo o mercado está travado, as pessoas não estão vendendo, não estão em estado, não. Como não conseguem encaixar ali o giro de que precisam do mercado porque as pessoas estão segurando o grão, né?

Então esse é um grande problema. A gente só vende grãos no físico, a gente não faz com um produtor argentino, não faz com produtor americano que a gente vai lá, vende primeiro nas bolsas esses grãos, faz uma trava de preço que não é uma especulação, como como a pessoa que vai lá e compra o papel na bolsa sem ser um produtor, sem ser uma grande empresa, alguém ou alguma coisa assim.

E trabalha com o agro. Ele é só um especulador. A gente não. A gente vai lá e trava o preço que a gente quer. A gente faz um desenho seguro do nosso, do nosso produto e isso tem que ser feito um ano antes. Você já tem que começar a planejar anteriormente, a gente aí a gente precisa profissionalizar a nossa comercialização no Brasil.

Isso é um grande problema. A gente trabalha muito bem no campo, mas a hora que vai comercializar acaba cometendo alguns deslizes, algumas falhas, que acaba deixando o grosso mesmo do dinheiro. Assim, não adianta a gente é a lei da oferta e demanda. Se a gente produz, produz, produz, produz, a gente vai entupir o mercado de produto e não vai ter preço.

Mas agora, se a gente já vende até agora, a gente vai fabricar o nosso produto. Mas para plantar o nosso produto já sabe qual o preço que vai ter lá na frente? A gente não tem esse problema que agora que alguns agricultores estão tendo, que os preços que eles estão vendendo tem que ser abaixo do custo de produção.

E além dessa questão do menor preço do preço baixo aqui, que não está cobrindo os custos, como você diz. Fernando, nós temos o fator Brasil que prejudica ainda mais nosso produtor que essa questão da logística, armazenagem, a questão dos portos, que são bem ineficientes e isso também afeta o preço interno, não é? E a todo custo isso vai tirando, vai tirando o valor do nosso produto.

Então assim a gente tem hoje uma, é uma malha ferroviária pequena, que a gente deveria investir mais nisso. As estradas, todo mundo sabe como está, as condições delas. Já há muito tempo. Então a gente tem esse problema de logística todo ano o pessoal de Mato Grosso que a gente vê aqui na televisão, aquelas filas de caminhão na lama, porque a gente não vai a muito tempo, o Brasil não investe nessa logística e a gente acaba investindo tudo em cima de caminhão e isso vai prejudicando.

E aí vai para o porto, os portos. Então, como a gente teve supersafra agora também no Brasil, no ano passado a gente estava tendo muito atraso na não nos portos, alguns portos, agora, por condições climáticas, teve aí por aqui, na parte sul do país, que ficou 15 dias parado porque não conseguia embarcar, porque não tinha condição climática de embarcar o produto.

Então a gente está tendo esse tipo de problema aqui no Brasil, o que acaba encarecendo e fazendo com que o produtores ou os compradores mudem a localização da compra dos grãos. A gente perdeu algumas compras para os Estados Unidos por causa disso. Muito bem. Então o produtor rural é que está esperando, guardando, só esperando melhores preços. Não vai ter êxito.

Ele vai ter que vender mais cedo, mais sai nesse preço aí, né, Fernando? É assim. O agricultor tem que fazer o cálculo do preço da armazenagem dele. Se ele tem condição financeira de aguentar isso, se ele, e são esses os cálculos que a pessoa tem que fazer, porque manter o grão armazenado tem um custo e se você não fez esse custo anterior, se você já não, não cobriu parte desses custos altos com contrato futuro, você vai estar jogando com a sorte.

Esse é o problema da nossa, da nossa comercialização no Brasil. Hoje a gente tem que estar buscando ter uma comercialização melhor desses grãos e é o que a gente luta todo dia para isso. Muito bem, Fernando, nós agradecemos muito a sua participação aqui no Portal Euronews e ficamos à disposição da PF Consultoria, uma empresa especializada em análise de mercado.

É uma das especialistas e inclusive entrega no Brasil. Pra estar aqui com a gente sempre que for necessário para trazer essas informações e levar essas informações para o nosso produtor rural. Muito obrigado. Ok, Conte com a gente. Valeu até mais!




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