Queda nas importações da Europa e expectativa por dados de moagem global mantêm o mercado pressionado, mesmo com cortes na estimativa de produção em Gana
Segundo análises da Hedgepoint Global Markets, o mercado do cacau segue volátil, com os contratos futuros de setembro acumulando perdas até 26 de junho: 3% em Nova York e 5% em Londres. A melhora nas condições climáticas na África Ocidental, especialmente em Gana, elevou as expectativas para a próxima safra e contribuiu para o viés de baixa. Mesmo assim, o mercado também reage a cortes na produção atual e à movimentação da demanda global.
No dia 26, os contratos romperam a resistência de US$ 8.770 por tonelada em Nova York após a divulgação de que Gana reduziu sua estimativa de produção de 610 mil para 600 mil toneladas. De acordo com Carolina França, analista da Hedgepoint, embora o corte já fosse esperado, ele reforça a preocupação com a oferta. A desvalorização do dólar também pode ter ajudado a sustentar os preços, apesar das perdas acumuladas na semana.
Entre os fatores que mantêm a pressão no mercado estão as previsões de chuvas acima da média em regiões-chave da produção africana, o que alimenta um otimismo moderado para a safra 2025/26. As lavouras em Gana já apresentam sinais de recuperação, embora as estimativas oficiais de produção tanto de Gana quanto da Costa do Marfim ainda não tenham sido divulgadas.
Do lado da demanda, o mercado aguarda os dados de moagem do segundo trimestre de 2025 nas principais regiões processadoras — Estados Unidos, Europa e Ásia. O objetivo é avaliar o impacto dos preços elevados sobre o consumo global. Os dados do primeiro trimestre já indicaram retração, reforçada por resultados financeiros negativos de grandes processadoras e por alta nos preços ao consumidor final na Europa.
As importações líquidas de cacau pela Europa caíram 9,53% no acumulado da safra atual (outubro de 2024 a junho de 2025) em comparação com o mesmo período do ciclo anterior. Essa redução pode estar relacionada à oferta limitada das últimas safras, que impulsionou os preços dos grãos e derivados. Além disso, a participação da Costa do Marfim nas exportações para a Europa também recuou, possivelmente devido à queda na qualidade das amêndoas e ao ritmo mais lento nos portos, segundo a Hedgepoint.