StoneX estima saldo positivo de 239 mil toneladas, mas produção ainda depende das condições climáticas no segundo semestre
A oferta global de cacau pode voltar a ganhar fôlego na safra 2025/26. Segundo a StoneX, a estimativa inicial aponta para um superávit de 239 mil toneladas, caso o clima continue favorecendo o desenvolvimento dos frutos nas principais regiões produtoras. O cenário foi apresentado nesta quinta-feira (3), durante o webinar “Radar Cacau”.
Apesar da expectativa positiva, a consultoria destaca que o clima no segundo semestre ainda é fator determinante. Entre março e junho ocorre a fase mais crítica de desenvolvimento das vagens, com colheita intensificada a partir de outubro.
Até o fim de junho, as condições climáticas vinham dentro da média em países como Costa do Marfim e Gana, que respondem por cerca de 60% da produção mundial. Também houve desempenho favorável em regiões produtoras da América do Sul e Sudeste Asiático, como Equador, Peru e Indonésia.
No entanto, os riscos estruturais seguem no radar, com destaque para a propagação da doença viral CSSVD (vagem inchada), que afeta de forma duradoura os cacaueiros e avança em áreas produtoras do Oeste Africano.
No Brasil, a estimativa inicial da safra 2025/26 é de 215 mil toneladas, o que representa um crescimento de 10,2% em relação ao ciclo anterior. O aumento é impulsionado pela valorização da amêndoa e maior acesso ao crédito.
Além do clima, a baixa estruturação do setor e a dificuldade de controle de doenças explicam a lentidão na retomada da produção.
O Brasil aparece com potencial para se posicionar como fornecedor sustentável de cacau, aproveitando o novo momento global de exigências socioambientais.