INÍCIO AGRICULTURA Abelhas

Polinização contribui para a produtividade da soja

A polinização é um dos serviços ecossistêmicos dos mais relevantes para a agricultura

A polinização é um dos serviços ecossistêmicos dos mais relevantes. Permite a perpetuação das espécies vegetais, de maneira a garantir o fluxo e a troca de material genético entre plantas. Estimativas dão conta de que existem 300 mil espécies de plantas com flores, entre as quais 1.200 cultivadas para fornecer alimentos ou outros produtos e serviços.


Estudos apontam que um terço da produção global de alimentos depende de polinizadores
Estudos apontam que um terço da produção global de alimentos depende de polinizadores

Cerca de 80% das plantas com flores precisam de algum tipo de polinização biótica. Estudos apontam que um terço da produção global de alimentos depende de polinizadores.



Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, US$ 5 bilhões são anualmente adicionados ao valor da produção agrícola, por conta da polinização por abelhas. Em termos globais, esse valor ascenda a mais de US$ 200 bilhões.



Uma das sumidades nesse assunto em âmbito nacional é o Engenheiro Agrônomo Décio Luiz Gazzoni, formado pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) em 1971 e pesquisador da Embrapa Soja. Ele também é membro da Academia Brasileira de Ciência Agronômica, da Associação para o Estudo das Abelhas, do Conselho Científico Agro Sustentável , do Instituto Soja Sustentável e do Comitê Estratégico Soja Brasil. Décio é também pós-graduado em entomologia e há 15 anos estuda a relação entre soja e as abelhas, o que inclui a polinização. Ele também é colunista do Rural News.



Na prática, a implantação de três colmeias por hectare, perto de lavouras de soja, pode incrementar a produtividade média em 13%, com possibilidade de alcançar 18%. Por outro lado, os apicultores contam com a chance de atingir até 50 quilos de mel durante a floração da soja, diante de uma média brasileira de 19 quilos/ano.



Já há relatos sobre a adoção da integração apicultura e sojicultora por parte de diversos apicultores e agricultores. A polinização assistida é muito utilizada no Hemisfério Norte (América do Norte, Europa, China, Japão, etc.), especialmente em frutíferas e em cultivos protegidos (estufas). Nos Estados Unidos, há movimentação de centenas de milhares de caixas de abelhas, ao longo do ano, entre as costas Leste e Oeste, para efetuar a polinização assistida em diversos cultivos, como rosáceas, amendoeiras e citrus.



De acordo com o Engenheiro Agrônomo Décio Gazzoni, existem cultivos dependentes de polinização como maçã e maracujá, em que não há produção sem polinização. Há outros cultivos que se beneficiam da polinização suplementar assistida, aumentando a produtividade e a qualidade dos frutos.



As abelhas já estão naturalmente presentes nas lavouras. Elas nidificam em vegetação nativa, próximo das lavouras. Durante a floração dos cultivos, saem das matas para coletar recursos como néctar, pólen, cera ou óleo nas culturas. É na visita às flores para coletar esses recursos que elas efetuam a polinização. Há duas formas de melhorar essa situação, que não são mutuamente exclusivas. A primeira é protegendo as abelhas nas áreas de vegetação nativa. A segunda é a colocação de caixas de abelhas (abelha doméstica ou abelhas sem ferrão, as meliponídeas) próximo de áreas de cultivo, para que efetuem a polinização.



Décio Gazzoni chama a atenção para a necessidade de conscientização, treinamento e capacitação, para que todos os envolvidos disponham da melhor informação. “No caso da conscientização, pensamos em atuar junto às crianças da educação fundamental, com a cartilha Abelhas Agricultoras. Por meio dela, a mensagem chegará aos adultos. Também pensamos em trabalhar junto às mídias locais, que são muito acessadas por agricultores”.



O treinamento e a capacitação dizem respeito à ação dos engenheiros agrônomos, diretamente junto aos agricultores. Para auxiliar nessa ação, a Embrapa, a BASF e o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) deverão publicar, ainda em 2004, uma cartilha sobre “Boas Práticas Agrícolas, Apícolas e de Comunicação para integração entre agricultura e apicultura”, juntamente com um curso de EAD sobre o tema.


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