Integração soja e abelhas permite ganho de 13% na produtividade

Projeto-piloto da Embrapa é desenvolvido em 12 propriedades do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Paraná
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Publicado em 20/02/2024

Experimentos do pesquisador Décio Luiz Gazzoni, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mostraram que a produtividade da soja aumenta, em média, 13% quando a lavoura registra a presença de abelhas durante a florada. Mesmo sendo uma planta que se autopoliniza, o trabalho dos insetos aumenta de dois para quatro o número de sementes por vagem, o que representa ganho extra de R$ 1 mil reais por hectare.O projeto-piloto, iniciado em 2022, é uma cooperação técnico financeira entre a Basf e a Embrapa e tem o objetivo de incentivar a convivência harmônica entre sojicultores e agricultores, em prol de sistemas de produção mais sustentáveis. A iniciativa prevê a realização de ações conjuntas em três regiões importantes na sojicultura brasileira: Paraná (Maringá), Mato Grosso do Sul (Dourados) e Rio Grande do Sul (São Gabriel) até 2025. São quatro produtores atendidos pelo projeto em cada uma das regiões.

No começo dos trabalhos, os pesquisadores criaram uma cartilha contendo um conjunto de práticas sustentáveis para a produção de soja com baixo impacto na criação de abelhas. O material também orientava sobre boas práticas apícolas para instalação de apiários próximos às lavouras de soja. Gazzoni frisa que, se forem seguidas as boas práticas agrícolas, apícolas e de comunicação, os ganhos médios podem chegar até 13%. “Ganha o apicultor, porque ele reduz os seus custos e produz muito mais mel. E também o sojicultor tem benefícios, porque aumenta a sua produtividade”, destaca.O especialista lembra que, no passado, a maioria dos pesquisadores não aceitava que as abelhas tinham papel importante no incremento da produtividade da soja. Apesar de muita controvérsia, os resultados obtidos em diversas pesquisas realizadas em países produtores, os rendimentos da soja aumentaram em média 21%, superando os ganhos proporcionados pelo melhoramento genético e outras estratégias de manejo empregadas em países como Brasil, Argentina e Estados Unidos.Ele garante que os produtores de soja podem incrementar os seus rendimentos, protegendo abelhas e polinizadores que forrageiam suas propriedades durante a floração que é um período relativamente curto no qual, historicamente, a cultura não é pressionada por pragas. O pesquisador alerta que é importante destacar que a produtividade adicional conferida pela polinização por abelhas representa margem líquida para o agricultor, considerando-se que o sistema de produção não é alterado, ou seja, ele pode colher até 21% a mais, porém não gastará um real a mais para obter essa produtividade extra. “Eu já consegui ganhos de 20% no rendimento das lavouras, mas evito divulgar esses números para não criar falsas expectativas nos produtores de soja”, conclui.Parceria - Na Granja Santa Bárbara, em São Gabriel, na Fronteira Oeste gaúcha, são 1,9 mil hectares cultivados com a oleaginosa. A colheita iniciará em abril, mas o produtor Ivar Muller, está otimista, graças ao apoio indispensável dos pequenos insetos que vem ajudando no cultivo. “Estamos no segundo ano de pesquisa e os resultados são muito bons”, afirma Muller.O produtor trabalha em parceria com o apicultor Aldo Machado dos Santos, proprietário do Apiário São Gabriel. Como as abelhas não costumam percorrer grandes distâncias, muitos pontos da lavoura ficam sem polinização. A alternativa é usar uma espécie conhecida como abelha doméstica em locais estratégicos da plantação. Caixas com essas abelhas são instaladas onde não há a presença natural do inseto. O profissional utiliza três caixas com os insetos por hectare cultivado com a oleaginosa. “São cerca de 20 mil abelhas forrageando por hectare, o que permite um acréscimo médio de até 13% na produção da lavoura de soja, conforme estudos comprovados pela Embrapa Soja”, salienta. “No pior ano, o ganho foi de 8% e, no melhor, de 18%”, acrescenta Santos, que coordena a Comissão de Apicultura da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).
O trabalho dos insetos aumenta de dois para quatro o número de sementes por vagem
O trabalho dos insetos aumenta de dois para quatro o número de sementes por vagem
O trabalho dos insetos aumenta de dois para quatro o número de sementes por vagem

Décio Luiz Gazzoni, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa

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