O poder de compra do suinocultor paulista diante dos principais insumos da atividade — o milho e o farelo de soja — registrou recuo na parcial de julho (dados coletados até o dia 14) na comparação com o mês anterior. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a relação de troca frente ao derivado de soja acumulou a sua quarta baixa consecutiva, atingindo o menor patamar de eficiência de compra desde janeiro de 2024. Já na comparação direta com o milho, o poder de compra do produtor é o mais baixo registrado desde janeiro de 2023.
Pesquisadores do Cepea explicam que, embora os preços do suíno vivo, do milho e do farelo de soja tenham apresentado leves altas no mercado de São Paulo ao longo de julho, a valorização dos insumos de nutrição animal foi mais intensa do que a do animal acabado. Esse descompasso acabou achatando a capacidade de troca do produtor.
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Relação de troca detalhada em quilos de ração
Na prática, o suinocultor do estado de São Paulo consegue adquirir, nesta parcial de julho, 4,92 quilos de milho ou 3,13 quilos de farelo de soja com a receita obtida na venda de um quilo de suíno vivo. Esses números representam uma retração de 0,6% na comparação com o milho e de 0,4% em relação ao farelo de soja, quando confrontados com as médias de junho.
Oferta de animais e perspectivas de demanda interna
De acordo com a análise do Centro de Pesquisas, a grande oferta de animais prontos para o abate no mercado paulista tem atuado como um limitador para reajustes mais significativos no preço do suíno vivo. Pelo lado da demanda, a procura pela carne suína na ponta final do varejo doméstico manteve-se aquecida durante a primeira quinzena do mês.
No entanto, as projeções para a segunda metade de julho acendem o alerta para a cadeia produtiva. O Cepea estima que ocorra uma retração na busca dos consumidores pela proteína suína, comportamento sazonal gerado pelo menor poder de compra da população geral no período de fim de mês.
