Um avanço científico desenvolvido pela pesquisa pública paulista promete transformar o manejo sanitário da aquicultura brasileira. Pesquisadores do Instituto de Pesca (IP-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conseguiram multiplicar em até oito vezes o rendimento na produção de uma vacina de DNA voltada ao combate da bactéria Francisella orientalis, agente causador da francisellose em tilápias.
O estudo foi conduzido pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sanidade em Piscicultura (CCD Sanidade) do IP, em cooperação com a Universidade de São Paulo (USP).
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A evolução tecnológica consistiu na substituição do cultivo microbiológico tradicional em agitadores mecânicos pelo processamento automatizado em biorreatores de 5 litros. A mudança permitiu a obtenção de DNA plasmidial em volume e pureza suficientes para dar início às fases de imunização experimental e ensaios de campo em plantéis de tilápias.
Combate à mortalidade de inverno e sustentabilidade
A intensificação dos sistemas de cultivo no Brasil elevou o risco de surtos infecciosos. A francisellose é considerada uma das enfermidades mais devastadoras da tilapicultura, com picos de incidência durante o inverno, podendo dizimar mais de 40% dos peixes de um lote e provocar pesados prejuízos econômicos aos produtores.
Frente às vacinas convencionais, as formulações de DNA trazem a vantagem tecnológica de induzir respostas imunológicas celulares e humorais mais duradouras, além de apresentarem elevada estabilidade térmica — fator essencial para a distribuição logística nas regiões produtoras do País.
De acordo com a pós-doutoranda Dra. Luara Lucena Cassiano, responsável pela operação de tecnologia de vacinas do CCD, a padronização do processo em escala piloto traça uma rota sustentável para o setor. "Esse avanço não apenas aumentou a produção da vacina, mas também apontou os caminhos para tornar o processo escalonável e comercialmente viável", destaca a pesquisadora.
A metodologia de alta produtividade em biorreator também será adaptada para o desenvolvimento de imunizantes contra outros patógenos de alto impacto na aquicultura, como o vírus Megalocytivirus pagrus1 (subtipo ISKNV). Além de proteger o plantel, o avanço consolida a transição para uma produção aquícola com menor dependência de antibióticos, alinhando a cadeia brasileira aos padrões internacionais de combate à resistência antimicrobiana.
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