O greening (Huanglongbing/HLB) registrou em 2026 a menor taxa de avanço dos últimos nove anos no cinturão citrícola que compreende o estado de São Paulo e o Triângulo/Sudoeste Mineiro. De acordo com o levantamento anual do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a incidência média da doença passou de 47,63% em 2025 para 48,08% em 2026. O incremento de 0,45 ponto percentual revela uma expressiva desaceleração frente ao ciclo anterior, quando o avanço havia sido de 3,28 pontos percentuais.
A contenção do ritmo da praga reflete a intensificação do controle do psilídeo (Diaphorina citri), a renovação contínua de talhões comerciais e condições climáticas pontualmente desfavoráveis ao vetor. Apesar do alívio estatístico, o índice absoluto segue elevado, exigindo a manutenção de forças-tarefas fitossanitárias.
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São Paulo responde por cerca de 80% da safra nacional de laranjas. Em 2025, o complexo de sucos foi o terceiro maior polo exportador do agro paulista, gerando US$ 2,98 bilhões em divisas — sendo 97,9% provenientes do suco de laranja. O secretário de Agricultura e Abastecimento de SP, Geraldo Melo Filho, reforça o compromisso institucional:
"Estamos falando de uma das cadeias mais importantes do agro paulista, de uma atividade em que São Paulo exerce uma liderança absoluta e que tem peso significativo na nossa balança comercial, geração de empregos e desenvolvimento regional. Esse resultado é positivo, mas aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de manter uma política permanente de sanidade, pesquisa e apoio ao produtor", afirma Melo Filho.
Fiscalização e endurecimento regulatório
A Defesa Agropecuária de São Paulo atua no monitoramento de pomares e na fiscalização de mudas. Somente em 2025, foram inspecionadas cerca de 222,7 milhões de árvores, com a erradicação de 4,42 milhões de plantas sintomáticas. No acumulado entre 2023 e 2025, as vistorias ultrapassaram 667 milhões de plantas, com 14,1 milhões de árvores eliminadas.
O endurecimento das ações fitossanitárias reflete também as recentes atualizações no marco regulatório estadual. Desde 2025, o governo paulista proibiu a produção, comercialização, plantio e uso paisagístico da murta (Murraya paniculata), exigindo a eliminação da planta hospedeira em espaços públicos e privados.
Em complemento, uma resolução em vigor desde maio de 2026 tornou obrigatório o cadastro de todas as propriedades citrícolas junto à Defesa Agropecuária, estabelecendo critérios regionalizados onde o corte de plantas sintomáticas é compulsório para qualquer idade em áreas de baixa incidência e focado em talhões de até três anos nas regiões de alta pressão da praga.
Para dar suporte operacional à aplicação das regras, a Secretaria de Agricultura destinou R$ 3,6 milhões anuais para reforçar as equipes de campo com a contratação de 28 profissionais terceirizados em conjunto com os fiscais estaduais.
O diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, alerta para a janela crítica do calendário citrícola:
"O greening exige a união de todos em um manejo coordenado e regionalizado. A desaceleração da evolução da doença nos pomares traz esperança, mas reforça a necessidade de manter o rigor no manejo. Tradicionalmente, entre agosto e novembro, o aumento das brotações favorece a alimentação, a multiplicação e a migração do psilídeo, elevando o risco de disseminação", explica Ayres.
Crédito pelo Feap e avanço em pesquisa
Para apoiar a transição no campo, o Governo de SP disponibiliza linhas do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP). A modalidade Produção Vegetal Sustentável Paulista conta com R$ 30 milhões no ciclo 2026/27 para custear tanto a erradicação e replantio de pomares quanto a reconversão da área para outras culturas agrícolas.
Na vertente científica, o Centro de Pesquisa Aplicada em Citros (CPA Citros) congrega R$ 90 milhões em aportes públicos e privados. A iniciativa reúne a Fapesp, Fundecitrus, CitrusBR, universidades e o Centro de Citricultura "Sylvio Moreira", do Instituto Agronômico (IAC), focando em biotecnologia genética, novos manejos integrados e controle biológico da praga.
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