O Governo do Estado de São Paulo levou uma experiência imersiva em realidade virtual 3D para a abertura da 16ª edição do evento Citros de Mesa, sediado no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico (IAC), em Cordeirópolis. A ferramenta tecnológica simula em poucos minutos a rota percorrida pelas frutas cítricas desde o controle genético em viveiros até o desembaraço nos portos para exportação, funcionando como vitrine das ações de vigilância fitossanitária executadas no campo.
Por trás da interface digital, o Estado mantém uma rotina austera de contenção biológica. Somente em 2025, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária inspecionou 17.549 propriedades rurais no enfrentamento ao greening (HLB), culminando na erradicação de 4,4 milhões de árvores sintomáticas e na apreensão e destruição de 60.316 mudas clandestinas. Para reforçar a blindagem sanitária, foram contratados 28 novos fiscais técnicos dedicados exclusivamente à cultura, somando aporte anual de R$ 3,6 milhões.
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Durante a cerimônia de abertura, o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, enfatizou a engrenagem institucional que sustenta a liderança paulista:
"O Centro de Citricultura Sylvio Moreira é a casa do citricultor. E uma das maiores forças do agro paulista é justamente essa integração entre pesquisa, conhecimento, extensão rural, defesa agropecuária e o produtor na ponta. Aqui temos uma estrutura que conversa, que ouve as necessidades de quem produz e transforma pesquisa e tecnologia em resultado no campo. É esse conjunto que dá força e competitividade à citricultura de São Paulo."
A infraestrutura de suporte envolve ainda a atuação da CATI em assistência de colheita e do próprio IAC, cuja unidade em Cordeirópolis abriga 1.745 acessos em seu banco de germoplasma, realiza mais de 15 mil diagnósticos laboratoriais por ano e transfere anualmente cerca de 150 mil borbulhas e até mil quilos de sementes indexadas ao setor produtivo.
Curva de avanço do greening perde força no cinturão
O encontro técnico ocorre sob o alívio estatístico apontado pelo mais recente levantamento do Fundecitrus. Em 2026, a taxa média de incidência do greening no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais oscilou de 47,63% para 48,08%.
A variação positiva de 0,45 ponto percentual representa a menor taxa de avanço da doença observada nos últimos nove anos, distanciando-se do salto de 3,28 pontos registrado no levantamento anterior. Outro indicador relevante foi o recuo de 45% nas capturas do inseto vetor (Diaphorina citri) e a queda da contaminação em pomares jovens de três a cinco anos, cuja incidência desceu de 39,18% para 29,50%.
Apesar do respiro técnico, o Fundecitrus adverte que a praga segue ativa em quase metade das árvores monitoradas, demandando rigor operacional. A nova estratégia sanitária paulista adota medidas direcionadas por risco:
Regionalização de risco: Classificação dos municípios conforme o percentual local de infestação para focar o contingente fiscalizador nas zonas de transição;
Controle vetorial obrigatório: Exigência de vistorias quinzenais com armadilhas para monitoramento do psilídeo em todas as propriedades comerciais;
Corte escalonado: Nas áreas de baixa incidência, vigora a erradicação imediata de qualquer árvore doente. Já em municípios endêmicos de alta incidência, o arranquio permanece estritamente compulsório para pomares novos de até três anos, autorizando a manutenção de plantas adultas desde que submetidas a protocolos rigorosos de supressão de insetos.
Promovido pela Associação Brasileira de Citros de Mesa (ABCM) em aliança com o IAC, o encontro reúne produtores, pesquisadores e distribuidores para alinhar demandas de qualidade de fruto fresco, agregação de valor e protocolos de biosseguridade.
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