rio-grande-do-sul
NOTÍCIAS DO AGRO > rio-grande-do-sul > tecnologia

Tecnologia com IA reforça vigilância de pragas em videiras no RS

Foto do autor Francieli Galo
Publicado em:
Tecnologia com IA reforça vigilância de pragas em videiras no RS
Nova armadilha com IA reforça monitoramento de pragas em parreirais na Serra Gaúcha. Foto: Seapi / Divulgação

Equipamento automatizado começou a ser testado em Bento Gonçalves e pode reforçar a vigilância fitossanitária contra pragas em videiras na Serra Gaúcha

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) iniciou os testes com o primeiro equipamento de monitoramento automático de pragas em parreirais de uva no Estado. A instalação foi concluída nesta terça-feira (24), em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, e o sistema passará por um período de avaliação de seis meses.

A iniciativa representa um avanço no uso da inteligência artificial na vigilância fitossanitária da vitivinicultura gaúcha. A nova armadilha automatizada pode tornar o acompanhamento de insetos mais eficiente, com geração de dados em tempo real e maior agilidade na identificação de espécies suspeitas.

Tecnologia reforça prevenção contra praga quarentenária

O novo equipamento passa a integrar o sistema de prevenção contra a Lobesia botrana, mariposa que tem a videira como hospedeira e é considerada uma das principais ameaças fitossanitárias para a cultura.

Embora a espécie não esteja presente no Brasil, ela é classificada como inseto quarentenário, com alto potencial de estabelecimento no território nacional. Por isso, o monitoramento preventivo é tratado como prioridade, especialmente em regiões produtoras de uva.

Atualmente, o controle é feito com armadilhas que funcionam como sistemas de detecção precoce, permitindo identificar possíveis riscos antes que a praga se estabeleça.

Monitoramento convencional exige visitas frequentes

Hoje, o sistema de vigilância conta com 20 armadilhas convencionais instaladas em parreirais de 15 municípios do Rio Grande do Sul.

Esses equipamentos são inspecionados quinzenalmente por técnicos da Seapi, em sua maioria engenheiros agrônomos, que realizam a troca das placas adesivas e a análise do material coletado em busca de insetos suspeitos.

Quando há uma identificação preliminar, o material é encaminhado para análise em laboratório oficial. Além disso, a cada 45 dias, também é feita a substituição do feromônio, substância usada como atrativo sexual para facilitar a captura dos insetos.

Sistema com IA envia dados em tempo real para aplicativo

Com a nova armadilha, boa parte desse processo passa a ser automatizada. Segundo a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal do DDV, Deise Riffel, o servidor da Secretaria precisará apenas substituir o feromônio a cada 45 dias, já que esse é o período de eficiência do atrativo.

O equipamento utiliza o mesmo sistema adesivo e o mesmo feromônio das armadilhas convencionais, mas incorpora inteligência artificial para a captura de imagens e a identificação automática da espécie.

As informações são disponibilizadas em tempo real por meio de um aplicativo no celular, permitindo que os técnicos acompanhem os alertas e as imagens à distância, de forma contínua e com mais rapidez.

Monitoramento contínuo pode acelerar resposta técnica

A nova armadilha gera imagens dos insetos capturados, que são analisadas automaticamente pelo sistema. A ferramenta é capaz de indicar a presença da Lobesia botrana ou de outras espécies suspeitas.

Com isso, o monitoramento deixa de depender apenas das inspeções presenciais e passa a ocorrer de forma contínua. A frequência de geração das imagens pode ser ajustada conforme a necessidade técnica, o que amplia a flexibilidade da vigilância.

Na prática, isso permite uma resposta mais rápida por parte da equipe técnica, tanto para confirmar suspeitas quanto para reforçar ações preventivas em áreas estratégicas.

Tecnologia pode elevar eficiência da defesa vegetal

Para a Seapi, a adoção da nova tecnologia pode representar um ganho importante para a defesa sanitária vegetal no Estado. O fiscal agropecuário Marcos Antônio Cambruzzi, que participou da instalação do equipamento e atua no monitoramento das armadilhas convencionais, destacou que o sistema aprimora significativamente o trabalho ao permitir um acompanhamento mais ágil e eficiente.

Se os testes confirmarem o desempenho esperado, a ferramenta poderá fortalecer a estrutura de vigilância fitossanitária da vitivinicultura gaúcha, setor estratégico para a Serra Gaúcha e para a produção nacional de uvas e vinhos.