Alta do combustível eleva alerta na colheita do café
Com avanço da mecanização nas lavouras, alta do combustível pode elevar em até 15% o custo da colheita do café na safra 2026/27
A alta do diesel passou a preocupar ainda mais a cafeicultura brasileira com a aproximação da colheita da safra 2026/27. Segundo pesquisadores do Cepea, o atual conflito no Oriente Médio tem impactado os mercados interno e externo de derivados de petróleo, o que pode elevar os custos de produção do café nos próximos meses. Embora os fertilizantes ainda liderem os aumentos nos tratos culturais, o combustível se tornou o principal foco de atenção neste momento por causa do peso que tem nas operações mecanizadas da colheita.
Com mais áreas sendo colhidas com máquinas no Brasil, o encarecimento do diesel tende a ser sentido de forma mais rápida no campo, pressionando uma etapa essencial da produção justamente em um período de maior demanda operacional.
Conflito externo amplia pressão sobre custos
De acordo com o Cepea, o cenário geopolítico no Oriente Médio vem influenciando diretamente os mercados de derivados de petróleo, com reflexos sobre os preços internos do diesel no Brasil.
Essa movimentação gera preocupação entre os produtores de café porque o combustível tem papel importante nas atividades de campo, especialmente em uma fase em que o setor se prepara para intensificar a colheita.
Mesmo com os fertilizantes ainda aparecendo como um dos principais itens de custo nos tratos culturais, a alta recente do diesel passou a ganhar mais relevância pelo impacto imediato que pode gerar sobre as operações da safra.
Mecanização amplia impacto do diesel no campo
Segundo os pesquisadores, a maior mecanização das lavouras de café no Brasil ajuda a explicar por que o diesel se tornou uma preocupação tão relevante neste momento.
Atualmente, cresce o percentual de áreas colhidas com máquinas, e toda essa operação envolve uma série de atividades com tratores e outros equipamentos, desde a colheita propriamente dita até o apoio logístico dentro da propriedade.
Com isso, qualquer avanço no preço do combustível tende a se refletir rapidamente nos custos da atividade, afetando diretamente o planejamento financeiro do produtor.
Preço do diesel disparou em estados produtores
Os dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram que a alta já foi expressiva em março em importantes estados produtores de café.
Em Minas Gerais, o preço do óleo diesel subiu 23%. Em São Paulo, a alta foi de 20%. Já no Espírito Santo, o avanço registrado foi de 12%.
Esses percentuais acendem um alerta para o setor, especialmente porque os três estados têm peso estratégico na produção nacional e concentram parte relevante das áreas que entram em fase de colheita.
Custo da colheita pode subir cerca de 15%
Na avaliação do Cepea, se o movimento de alta dos combustíveis continuar, o desembolso com a atividade total de colheita na atual temporada pode subir aproximadamente 15%.
Esse aumento estaria diretamente relacionado ao avanço do preço do diesel nas operações mecânicas, que têm participação crescente dentro da estrutura de custo da cafeicultura.
Ou seja, o impacto não está apenas no combustível em si, mas em toda a cadeia operacional da colheita, que depende fortemente do uso de máquinas em várias etapas do processo.
Alta não representa o mesmo peso no valor final da saca
O Cepea ressalta, no entanto, que esse aumento estimado de 15% se refere especificamente ao custo da colheita, e não significa necessariamente um reajuste nessa mesma magnitude no valor final da saca produzida.
Na prática, trata-se de um encarecimento concentrado em uma etapa específica da produção, ainda que importante, e não de toda a estrutura de custo da lavoura.
Mesmo assim, o avanço do diesel pode comprometer margens, principalmente em propriedades mais dependentes de mecanização ou em cenários de preços menos favoráveis ao produtor.
Setor monitora custos em momento decisivo da safra
Com a proximidade da colheita, o setor cafeeiro entra em um momento decisivo de monitoramento dos custos operacionais.
A alta do diesel se soma a um cenário já pressionado por fertilizantes e outros insumos, reforçando a necessidade de atenção redobrada na gestão da safra 2026/27.
Se os combustíveis continuarem em trajetória de valorização, o produtor pode enfrentar uma colheita mais cara e com impacto direto sobre a rentabilidade, especialmente nas regiões onde a mecanização tem maior peso nas operações.