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Alta no arroz não destrava mercado e liquidez segue baixa no RS

Foto do autor Francieli Galo
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Alta no arroz não destrava mercado e liquidez segue baixa no RS
Alta recente do arroz não foi suficiente para destravar o mercado gaúcho, que segue pressionado por custos e margens negativas.

Mesmo com valorização recente, custos elevados, fretes mais caros e margem negativa seguem limitando os negócios no Rio Grande do Sul

Mesmo com a recente alta nos preços, o mercado de arroz no Rio Grande do Sul segue com baixa liquidez. Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço das cotações ainda não foi suficiente para destravar as negociações, já que o setor continua pressionado por custos elevados, margens negativas e incertezas sobre possíveis medidas de apoio ao segmento.

Na prática, o movimento de recuperação nos preços não tem garantido rentabilidade ao produtor, o que ajuda a explicar a postura cautelosa tanto do lado comprador quanto da oferta.

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Custos altos seguem limitando as negociações

De acordo com o Cepea, o atual patamar de preços ainda não cobre de forma satisfatória os custos da atividade, o que mantém o mercado travado no estado.

Mesmo com a valorização recente, os produtores continuam enfrentando margens apertadas ou negativas, cenário que reduz o interesse em avançar com vendas no curto prazo.

Esse desequilíbrio entre preço e custo tem sido um dos principais fatores por trás da baixa liquidez, já que muitos agentes avaliam que os negócios fechados neste momento ainda não oferecem retorno suficiente para recompor a rentabilidade da safra.

Compradores priorizam arroz já disponível nas indústrias

Pelo lado da demanda, parte dos compradores tem priorizado a aquisição de arroz já disponível nas unidades de beneficiamento, em vez de buscar novos volumes diretamente no mercado.

Segundo o Cepea, essa estratégia está ligada às dificuldades logísticas, que se intensificaram com a alta do diesel e o encarecimento dos fretes.

Com custos maiores para transporte e movimentação do produto, a preferência por estoques já posicionados nas estruturas industriais se torna uma alternativa para reduzir despesas e facilitar a operação.

Produtores seguem retraídos à espera de melhores condições

Do lado da oferta, a postura também permanece cautelosa. Os produtores seguem retraídos, aguardando condições mais favoráveis de comercialização antes de ampliar o ritmo de vendas. A avaliação é de que, apesar da recente recuperação das cotações, os preços atuais ainda não entregam margem suficiente para justificar um avanço mais forte dos negócios.

Essa combinação entre compradores seletivos e vendedores resistentes contribui para manter o mercado lento, com poucas operações efetivamente fechadas.

Fretes e diesel aumentam a pressão sobre a comercialização

A logística tem sido outro fator central para o ritmo travado do mercado gaúcho. O aumento do preço do diesel e a elevação dos fretes ampliam os custos de escoamento e dificultam a movimentação do arroz, principalmente em um momento em que a rentabilidade já está comprometida.

Além de pressionar as margens, esse cenário reduz a atratividade de novos negócios e leva muitos agentes a adotar uma postura mais defensiva, tanto na compra quanto na venda.

Entidades pressionam por apoio ao setor

Diante desse quadro, entidades representativas como Federarroz e Farsul intensificaram a articulação por medidas de apoio ao setor orizícola.

Entre os principais pontos em discussão está o cronograma de pagamento do custeio da safra 2025/26, considerado hoje um dos fatores que podem aumentar a pressão sobre a comercialização em um momento de oferta elevada.

A movimentação das entidades busca aliviar o fluxo financeiro dos produtores e dar mais fôlego para a gestão da próxima safra.

Proposta é ampliar parcelamento do custeio para oito meses

Atualmente, o pagamento do custeio da safra 2025/26 está estruturado em até quatro parcelas.

O problema, segundo as entidades, é que a primeira parcela coincide com o período de maior oferta, justamente quando os preços tendem a ficar mais pressionados e a comercialização encontra mais dificuldades.

Por isso, a proposta defendida é ampliar o parcelamento para oito meses, reduzindo a pressão imediata sobre o produtor e permitindo uma gestão mais equilibrada das vendas ao longo do tempo.

A mudança, na avaliação do setor, poderia ajudar a diminuir a necessidade de comercialização forçada em um momento desfavorável de mercado.

Mercado segue atento a preços, custos e apoio oficial

O mercado de arroz no Rio Grande do Sul continua em compasso de espera. Embora os preços tenham reagido recentemente, o avanço ainda não foi suficiente para recuperar a rentabilidade e destravar a liquidez. Custos elevados, fretes mais caros, margens negativas e incertezas sobre medidas de apoio seguem limitando o volume de negócios.

Nos próximos movimentos, o setor deve continuar atento à evolução das cotações e, principalmente, às decisões sobre o custeio da safra 2025/26, que podem influenciar diretamente o ritmo da comercialização no estado.

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