O avanço da transição energética global abre novas oportunidades para o calendário agrícola de inverno no Sul do país. O cultivo da carinata, oleaginosa da família das brássicas semelhante à canola, consolida-se como alternativa para geração de renda e diversificação agronômica nos meses frios, direcionada prioritariamente à fabricação de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês). Em Candelária (RS), a cooperativa Cotrijal reuniu cerca de 80 produtores rurais em dia de campo técnico focado na difusão da cultura entre associados da região central do estado.
O encontro, realizado em parceria com as companhias Nufarm e Celena Alimentos, abordou critérios de comercialização contratada, marcos regulatórios, plantabilidade e estratégias de controle de plantas daninhas. A atratividade da cultura apoia-se em seu perfil rústico, custos operacionais competitivos e demanda cativa das refinarias internacionais.
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O difusor técnico da Cotrijal, Maurício Jung, ressalta que a carinata preenche um espaço estratégico na rotação de culturas do estado:
"Já viemos trabalhando com canola e, desde o ano passado, introduzimos a carinata, uma cultura que apresenta um mercado específico voltado à produção de biocombustíveis, com destino ao mercado europeu. Ela vem se adaptando de forma muito satisfatória nas nossas regiões de atuação e vemos com bons olhos o futuro dela no nosso estado."
Desempenho no campo e metas de expansão
Em lavoura de 100 hectares cultivada em Candelária pelo produtor Igor Henrique Mahl, a cultura demonstrou tolerância a intempéries climáticas e baixa exigência de intervenções fitossanitárias. Após a emergência e o manejo básico de invasoras e aplicação preventiva de fungicidas, o ciclo transcorreu sem incidência crítica de pragas e doenças, validando a rusticidade exigida para o inverno gaúcho.
De acordo com dados da Nufarm, o Rio Grande do Sul lidera a produção nacional de carinata:
Área atual: O cultivo atinge cerca de 22,5 mil hectares no estado na temporada 2026;
Projeção de médio prazo: A estimativa do setor prevê salto produtivo para 100 mil hectares até 2027;
Destino do grão: Integralmente voltado ao processamento de SAF com exportação direcionada à União Europeia.
Com vitrines tecnológicas e treinamentos em diversos municípios, a assistência técnica cooperativa busca acelerar a curva de aprendizado dos produtores, posicionando o estado como polo fornecedor de biomassa certificada para descarbonização do setor aéreo.
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