O agronegócio do Rio Grande do Sul gerou uma receita cambial de US$ 1,62 bilhão em agosto de 2026, representando um incremento de 12,1% em relação ao faturamento de US$ 1,45 bilhão apurado em igual mês de 2025. Em contrapartida, o volume físico embarcado recuou 8% no mesmo intervalo, passando de 2,47 milhões para 2,27 milhões de toneladas. Os indicadores constam do relatório mensal de comércio exterior do Sistema Farsul.
O descompasso entre a expansão das receitas e o recuo volumétrico decorre de um aumento de 21,9% no preço médio implícito da pauta gaúcha. O fenômeno não foi causado por valorização generalizada das commodities nas bolsas, mas pela mudança qualitativa das cargas, com maior participação de itens industrializados e de alto valor agregado, a exemplo de carnes, fumo e óleo de soja, compensando a menor movimentação da soja em grão.
Brasil avança na retomada das exportações de aves e mel para a União Europeia
Faesp defende prazos de transição e reequilíbrio comercial contra a UE
Entenda os impactos da suspensão da UE sobre as exportações de carnes do Brasil
Ao todo, o Estado exportou US$ 2,19 bilhões no mês, cabendo ao setor agropecuário a fatia de 74,2% do valor financeiro e 90,7% do peso movimentado nos portos.
A Ásia manteve o posto de principal compradora ao movimentar US$ 885,6 milhões e 1,61 milhão de toneladas, mesmo recuando 7% em receita anual. A China liderou as aquisições com US$ 612,6 milhões (37,7% da pauta agro gaúcha), retração de 15,3%. O grande destaque coube à Europa, cujos aportes dobraram e somaram US$ 341 milhões, puxados por fumo, carnes e farelo de soja. Os demais destinos foram Oriente Médio (US$ 104,9 milhões), América do Sul (US$ 105,9 milhões) e América do Norte (US$ 89,2 milhões), com avanços expressivos de Bélgica, Estados Unidos, Índia e Turquia.
Disparada do boi vivo e salvaguarda chinesa na carne
No segmento de proteínas animais, a exportação de bovinos vivos anotou a maior alta percentual do levantamento, saltando 106,7% em valor (US$ 44,1 milhões) e 66% em volume (13,1 mil toneladas). A totalidade dos lotes teve como destino a Turquia, reflexo das compras estatais geridas pelo órgão Et ve Süt Kurumu (ESK) para recomposição de oferta interna.
O complexo de carne bovina avançou 5,8% em receita, mas recuou 3,5% em volume em decorrência da paralisação cautelar das vendas para a China. O travamento ocorreu após o alerta de que 90% da cota brasileira de 1,106 milhão de toneladas com tarifa regular havia sido consumida: para evitar a taxação extra de 55%, frigoríficos redirecionaram lotes preventivamente. Esse recuo foi amortecido pela carne industrializada vendida aos EUA, Reino Unido, Rússia e Israel, que cresceu 120% em valor.
A carne de frango liderou o fôlego comercial com altas de 58,4% em receita e 38,8% em tonelagem, consolidando a recuperação dos mercados internacionais pós-restrições sanitárias de 2025. Já a carne suína recuou 17% em receita e 4% em volume, pressionada pela perda de espaço nas Filipinas para fornecedores asiáticos e do leste europeu.
Tarifas norte-americanas e balanço do ano
No primeiro mês completo sob as novas sobretaxas alfandegárias norte-americanas, as vendas do agro gaúcho aos Estados Unidos cresceram 19% em valor, somando US$ 70,4 milhões, ancoradas em celulose, carne e madeira serrada. A Farsul pondera que produtos-chave operam com isenções e que o impacto total das medidas segue em monitoramento, visto que no acumulado do ano os envios aos EUA ainda exibem retração de 21%.
Entre janeiro e agosto, o agronegócio do Rio Grande do Sul acumulou exportações de US$ 9,88 bilhões e 15,02 milhões de toneladas, crescimentos de 9,8% e 7,9%, respectivamente. Soja em grão, derivados do complexo soja, frango in natura e o salto de 95% no boi vivo foram os principais pilares da receita estadual na temporada.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
