A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) consolida-se como uma das alternativas mais eficientes para baratear a fase final da engorda de bovinos de corte no Brasil, oferecendo vantagens competitivas diretas em relação ao confinamento tradicional em piquetes fechados. De acordo com monitoramentos realizados pelo Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), enquanto o custo diário por cabeça no confinamento convencional oscila entre R$ 14,00 e R$ 15,00, o modelo a pasto alcança valores substancialmente menores, entre R$ 9,00 e R$ 12,00 por animal ao dia, mantendo taxas atrativas de ganho de peso de 1,2 a 1,4 quilo diário.
A metodologia baseia-se na manutenção da boiada em piquetes de pasto associada a um alto aporte de concentrado nutricional, bem superior ao fornecido em suplementações convencionais de semiconfinamento. Conforme detalha o diretor técnico da SIA, Armindo Barth Neto, o consumo de ração varia de 1,2% a 1,8% do peso vivo dos animais, podendo chegar a 2% a depender da estratégia traçada para a terminação.
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"O confinamento exige uma estrutura cara e uma eficiência operacional muito grande. Na terminação intensiva a pasto, conseguimos fazer esse processo com uma estrutura muito mais simples e barata, sem a necessidade de fornecer volumoso, como a silagem", explica Barth Neto.
Baixo custo operacional e rendimento de carcaça
A simplificação logística é o grande trunfo da TIP. Em vez de exigir vagões misturadores pesados, trato diário com silagem de milho e complexa manutenção de currais de engorda, o sistema permite alocar cochos simples diretamente nas invernadas. Nas propriedades assessoradas pela consultoria, a mistura dos ingredientes pode ser preparada apenas uma vez por semana e estocada para distribuição periódica, admitindo até mesmo o trato manual ou o uso de carretas tracionadas de menor porte.
No plano nutricional, o concentrado responde por cerca de 90% de todo o consumo do animal, com o pasto atuando primordialmente como fonte de fibra efetiva para a saúde ruminal.
Embora o ganho médio diário de peso seja ligeiramente inferior ao observado em cochos de confinamentos fechados de alta performance, a economia no custeio diário e no maquinário compensa a margem da arroba produzida.
O índice de aproveitamento no frigorífico também surpreende:
Machos inteiros: rendimentos de carcaça alcançam a marca de 57%, com animais abatidos na faixa de 540 a 560 quilos de peso vivo (registros frequentes no Paraná);
Machos castrados: índices médios oscilam entre 53% e 54%, a depender do manejo e da base genética do rebanho.
Segundo o diretor da SIA, a resposta biológica relaciona-se a mudanças no trato gastrointestinal do bovino provocadas pela dieta concentrada.
"Os ganhos normalmente são um pouco menores do que no confinamento, mas conseguimos trabalhar com uma diária bem mais barata e com bons rendimentos de carcaça", sintetiza Barth Neto.
