As cotações do boi gordo apresentaram um ritmo de valorização mais acentuado do que as do boi magro na parcial de outubro (até o dia 20), resultando no encurtamento do diferencial de preços entre as duas categorias na comparação direta com setembro. O diagnóstico foi elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Conforme analisam os pesquisadores da instituição, essa recomposição na curva de preços tende a favorecer a atratividade econômica dos sistemas de terminação intensiva e confinamento. Contudo, a equipe técnica pontua que a viabilidade real da atividade segue condicionada ao comportamento dos demais insumos operacionais, com foco no custo dos concentrados e volumosos da dieta.
Touro Hereford atinge R$ 186 mil em leilão na Farm Show
Diversificação pode abrir mercado externo da carne bovina
O movimento altista do boi magro, verificado desde o início do ano civil, permanece ancorado na oferta enxuta de animais de reposição e no reflexo do próprio aquecimento da arroba terminada. Quando o boi gordo sobe, as perspectivas de margem do recriador e invernista melhoram, intensificando a concorrência na compra de lotes para engorda.
Por outro lado, a escalada mais veloz do boi gordo nesta reta final do ano decorre da escassez generalizada de boiadas prontas para o gancho no pasto, aliada a escalas de abate encurtadas nas plantas frigoríficas, que operam com margens justas de programação semanal.
Para o fechamento do quarto trimestre, o Cepea projeta que a sustentação das cotações dependerá do ritmo de compras da indústria, da oferta física de cabeças no primeiro giro das águas e da capacidade de absorção do varejo de carne bovina. As contratações temporárias e o pagamento do décimo terceiro salário no encerramento do ano tendem a aquecer o consumo das famílias, embora o teto de repasse no atacado continue limitado pelo poder de compra da população e pela forte concorrência com proteínas mais acessíveis, como o frango e os cortes suínos.
