A participação da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) na 49ª Expointer foi marcada pelos resultados expressivos alcançados nas pistas de julgamento e no concurso leiteiro. Ao mesmo tempo em que celebrou o alto padrão zootécnico no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, a entidade abriu espaço para discutir os desafios econômicos, os custos de insumos e as dificuldades enfrentadas pelas propriedades rurais diante das intempéries climáticas.
Em entrevista concedida ao RuralNews, o presidente da Gadolando, Marcos Tang, ressaltou que a qualidade dos animais apresentados representa o resultado de um trabalho permanente de seleção genética, manejo, nutrição e dedicação das famílias produtoras:
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"Estão de parabéns nossos produtores. Ao avaliar o nível dos animais que passaram pela pista, posso afirmar que é muita, muita, muita qualidade. São vacas morfologicamente corretas. As verdadeiras estrelas da exposição são os animais e seus criadores."
Destaques em pista e crescimento do rebanho
Entre os principais resultados obtidos em Esteio esteve a consagração da vaca C.A.M. Custódia Hotjob 156, do expositor Carlos Jacob Wallauer (Salvador do Sul), escolhida como Grande Campeã da raça Holandesa pelo segundo ano consecutivo. Já o exemplar Sand 622 Holliman Red, do criador Juliano Gabriel Sand (Ibirubá), conquistou o título de Supercampeã da variedade Vermelha e Branca.
A raça Holandesa participou da feira com 181 animais inscritos, confirmando a relevância da pecuária leiteira gaúcha:
Variedade Preta e Branca: 146 animais avaliados nos campeonatos oficiais;
Variedade Vermelha e Branca: 35 animais em pista, contingente expressivo que aproxima a entidade da meta de instituir um circuito de julgamento oficial autônomo para a categoria.
Custos de produção e impactos climáticos
Apesar das comemorações nas pistas, o cenário produtivo ainda impõe restrições ao pecuarista de leite. Custos elevados de insumos, instabilidade de preços pagos pelo litro, endividamento das propriedades, questões ligadas à sucessão familiar e eventos climáticos extremos formam um quadro complexo.
"O produtor de leite está aí, sol e chuva, com preço que baixa", declarou Marcos Tang ao valorizar a persistência das famílias que seguem investindo na atividade. O dirigente ponderou que, embora as cotações médias tenham registrado recente melhora em relação a períodos anteriores, o resultado financeiro segue apertado: "Agora está tendo uma pequena margem, enquanto nós viemos muito tempo sem margem nenhuma".
O dirigente chamou a atenção ainda para os reflexos dos temporais severos que atingiram o Rio Grande do Sul. As tempestades provocaram perdas de animais, destelhamento e destruição de galpões de manejo em diversas bacias leiteiras. Em alguns municípios, a sobreposição de prejuízos estruturais com dívidas anteriores tem levado criadores a abandonarem a atividade, o que reforça a urgência de políticas de socorro financeiro e seguro rural para manter a sustentabilidade da atividade no campo.
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