As abelhas sem ferrão ganharam um espaço especial junto à área da Emater/RS-Ascar na 49ª Expointer. A iniciativa aproximou os visitantes do universo da meliponicultura e mostrou que esses pequenos insetos possuem uma contribuição muito maior do que apenas a produção de mel.
Em entrevista ao Portal Rural News, o extensionista da Emater Samuel Sperandio explicou que a proposta do espaço foi apresentar as espécies nativas, demonstrar como as colônias são organizadas e conscientizar o público sobre a importância das abelhas para a agricultura e o equilíbrio ambiental.
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“A ideia é aproximar as pessoas das abelhas sem ferrão e mostrar que elas são fundamentais para a preservação da biodiversidade e para a produção de alimentos”, destacou Sperandio.
O espaço integrou a programação apresentada pela Emater na Expointer, que abordou o potencial produtivo e ambiental da apicultura e da meliponicultura. Os visitantes também puderam conhecer práticas, equipamentos e materiais utilizados no manejo dos enxames.
Polinização favorece a produtividade
Um dos principais pontos abordados durante a entrevista foi o trabalho realizado pelas abelhas na polinização. Ao transportar o pólen entre as flores, esses insetos contribuem para a formação e a qualidade de frutos, sementes e grãos.
“As abelhas fazem um serviço que muitas vezes passa despercebido. Elas ajudam diretamente na formação dos frutos e podem contribuir para aumentar a qualidade e a produtividade das culturas”, explicou o extensionista.
A presença desses polinizadores pode influenciar o tamanho, o peso e o formato dos produtos agrícolas. Em algumas culturas, a participação das abelhas é indispensável; em outras, amplia os resultados obtidos pelos produtores.
Segundo Sperandio, conhecer essa relação ajuda o agricultor a compreender que a preservação das abelhas também deve fazer parte do planejamento produtivo da propriedade.
“Quando o produtor protege as abelhas e mantém plantas que oferecem alimento durante diferentes períodos do ano, ele também está cuidando da produtividade da propriedade”, ressaltou.
Diversidade de espécies nativas
O Rio Grande do Sul possui diferentes espécies de abelhas sem ferrão, conhecidas popularmente por nomes como jataí, mandaçaia, manduri, mirim-guaçu e mirim-mosquito. Cada uma apresenta características próprias de comportamento, formação dos ninhos, produção e adaptação ao clima.
Além de despertar a curiosidade de crianças e adultos, a exposição das colônias contribuiu para desfazer a ideia de que todas as abelhas representam perigo.
“As abelhas sem ferrão podem ser criadas em áreas rurais e até mesmo em espaços urbanos, desde que o criador conheça as espécies e faça o manejo corretamente”, afirmou Sperandio.
A criação racional dessas espécies é chamada de meliponicultura. A atividade pode ser desenvolvida em pequenas áreas e integrada a pomares, hortas, jardins, sistemas agroflorestais e outras formas de produção.
Atividade vai além da produção de mel
Embora o mel seja o produto mais conhecido, a criação de abelhas também pode proporcionar própolis, pólen, cera e outros derivados. A atividade ainda apresenta potencial para ações de educação ambiental, turismo rural e comercialização de colônias dentro das exigências legais.
“A meliponicultura pode começar como uma atividade de preservação ou até como um hobby, mas também possui potencial para complementar a renda das famílias rurais”, observou o extensionista.
O espaço da Emater mostrou aos visitantes que a atividade pode ser iniciada com estrutura reduzida, mas exige conhecimento, acompanhamento técnico e atenção às necessidades de cada espécie.
“Não basta apenas colocar uma caixa na propriedade. É preciso observar a disponibilidade de alimento, proteger os enxames do frio e da chuva e acompanhar o desenvolvimento das colônias”, alertou Sperandio.
Manejo diante das mudanças climáticas
Os eventos climáticos extremos também representam um desafio para os criadores. Períodos prolongados de chuva, frio intenso, ventos fortes e alterações nas floradas podem diminuir a oferta de alimento e comprometer a sobrevivência dos enxames.
Por isso, a orientação técnica envolve a escolha adequada do local das caixas, proteção contra as condições climáticas, disponibilidade de plantas floríferas e monitoramento das colônias.
“O manejo precisa acompanhar as condições do ambiente. Um enxame forte e bem protegido terá melhores condições de superar os períodos de frio e de menor disponibilidade de alimento”, explicou.
Ao levar o tema para a Expointer, a Emater reforçou que preservar as abelhas significa proteger a biodiversidade e um dos principais serviços naturais utilizados pela agricultura.
A iniciativa também demonstrou que produção e conservação podem caminhar juntas, gerando conhecimento, alimentos, oportunidades de renda e maior sustentabilidade para as propriedades rurais.
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