As lavouras de trigo do Rio Grande do Sul registraram recuperação agronômica na última semana com o avanço de uma janela de tempo seco e maior insolação. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, o retorno da radiação solar permitiu que os triticultores retomassem os tratos culturais com adubação nitrogenada e reforçassem as pulverizações de fungicidas, operações que estavam represadas pela saturação hídrica dos solos.
O mapeamento fenológico estadual indica que metade dos talhões (50%) conclui o desenvolvimento vegetativo, concentrando-se entre o final do perfilhamento, a elongação do colmo e a fase de emborrachamento. As áreas em estágio reprodutivo dividem-se em floração (33%), enchimento e formação de grãos (16%) e maturação final (1%).
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Para esta safra, a Emater projeta uma área cultivada de 814.220 hectares, com rendimento médio esperado de 2.701 quilos por hectare.
Apesar do alívio com a trégua das precipitações, o histórico de semanas com dias nublados e garoa contínua acendeu o alerta sanitário nos pomares de espiga. Há registros de avanço de oídio, ferrugens e manchas foliares, além de focos de giberela nos trigais que floresceram sob umidade prolongada. Na região de Santa Rosa, onde 45% das áreas estão em floração e 25% em enchimento, o controle químico tem sido prioritário para mitigar perdas na formação dos grãos.
Panorama das demais culturas de inverno
O boletim conjuntural detalhou ainda o comportamento dos demais cereais e oleaginosas de inverno que dividem o calendário no estado:
Canola: Ocupa 353.397 hectares com expectativa média de 1.619 kg/ha; a cultura encontra-se em fase reprodutiva e as lavouras mais precoces do Noroeste já foram colhidas, embora episódios de granizo tenham deixado estragos localizados;
Carinata: Apresenta quadro fitossanitário estável com 95% das áreas em formação de sílicas em Santa Rosa e 100% em enchimento de grãos em Tupanciretã, onde foram identificados focos pontuais de mofo-branco (Sclerotinia);
Aveia-branca: Inicia os primeiros cortes nas parcelas mais adiantadas, mantendo evolução regular em Passo Fundo com 60% dos cultivos em florescimento;
Cevada: Estimada em 20.320 hectares e potencial produtivo de 3.020 kg/ha, a cultura avança na transição vegetativa para espigamento sob monitoramento contra doenças de folha.
Implantação acelerada do milho de verão
A melhora na drenagem do solo abriu espaço para um ritmo forte de plantio do milho da safra 2026/27. A semeadura ocorre de forma acelerada nas cotas de menor altitude e dentro da janela recomendada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). As lavouras emergidas apresentam uniformidade de estande e vigor vegetativo.
A estimativa da Emater projeta a área gaúcha de milho em 896.401 hectares, salto de 7,42% em relação ao ciclo anterior. O rendimento médio estadual foi estimado em 7.711 kg/ha, sustentando uma produção consolidada de 6,91 milhões de toneladas — crescimento de 7,18% sobre a safra precedente.
Citricultura enfrenta cotações deprimidas
No setor de hortifrutigranjeiros, enquanto o alho avança para a fase de diferenciação de bulbos em São Marcos e as brássicas mantêm colheita ativa em Vale Real, a citricultura lida com descompasso comercial acentuado.
Em Erechim, a safra de variedades precoces de laranja (Salustiana, Iapar e Navelina) foi liquidada sob desvalorização severa, batendo piso de R$ 0,40 por quilo. A laranja Valência voltada ao esmagamento industrial opera cotada a apenas R$ 380,00 por tonelada, desanimando os produtores.
O setor citrícola aposta no aumento das temperaturas ao longo de setembro e na aplicação de instrumentos de subvenção para recuperar o consumo da fruta in natura e reequilibrar as remunerações no interior.
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