Setor orizícola do RS cobra soluções para custeio e crédito rural
Reunião com entidades, cooperativas e instituições financeiras discutiu alternativas para vencimentos de custeio em 2026 e ajustes nos mecanismos de crédito rural para a cadeia do arroz no Rio Grande do Sul
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) voltou a discutir com representantes do setor orizícola do Rio Grande do Sul alternativas para enfrentar as dificuldades financeiras vividas pelos produtores de arroz no estado. Em reunião por videoconferência realizada nesta quinta-feira, a pasta tratou de medidas relacionadas aos vencimentos dos financiamentos de custeio da produção em 2026 e de possíveis ajustes nos mecanismos de crédito rural.
O encontro foi conduzido pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) e deu continuidade à reunião realizada em 3 de março, coordenada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, quando já haviam sido debatidas medidas de apoio à cadeia produtiva do arroz.
Setor relata endividamento e dificuldade de liquidez
Durante a reunião, representantes do setor produtivo reforçaram a preocupação com o nível de endividamento dos produtores e com a capacidade de pagamento das parcelas de custeio.
Segundo o relato apresentado no encontro, os produtores enfrentam dificuldades de liquidez, especialmente em um momento de concentração da colheita e de preços baixos no mercado do arroz.
Esse cenário tem elevado a pressão sobre o caixa das propriedades e intensificado a busca por soluções que permitam maior previsibilidade financeira para a atividade.
Crédito rural e parcelamento entraram na pauta
Entre os principais pontos debatidos, estiveram propostas ligadas à governança e à operacionalização do crédito rural, além de possíveis ajustes nos mecanismos de parcelamento das operações.
Também foram discutidos limites operacionais aplicáveis às linhas de financiamento, com o objetivo de ampliar a sustentabilidade financeira da cadeia orizícola e oferecer condições mais adequadas para o setor atravessar o atual momento de mercado.
A discussão girou em torno de alternativas que possam ajudar os produtores a reorganizar o fluxo de pagamento das operações de custeio, especialmente ao longo de 2026.
Instituições financeiras sinalizam possibilidade de prorrogação
Durante a reunião, as instituições financeiras participantes demonstraram sensibilidade em relação à situação enfrentada pelos produtores de arroz no Rio Grande do Sul.
Segundo o Mapa, os bancos e cooperativas de crédito manifestaram disposição para realizar as prorrogações que se fizerem necessárias, mantendo as condições originalmente contratadas e adotando prazos compatíveis, desde que haja análise caso a caso.
O ministério destacou ainda que os normativos previstos no Manual de Crédito Rural já contemplam essa possibilidade, permitindo a adoção dessas medidas dentro das regras vigentes.
Entidades e bancos participaram da reunião
Participaram do encontro representantes da Farsul, da Federarroz, além de associações e cooperativas de produtores.
Também estiveram presentes representantes de instituições financeiras como Banco do Brasil, Banrisul, Sicredi e Sicoob.
Pelo Mapa, participaram o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos; o secretário-adjunto, Wilson Vaz de Araújo; o diretor de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, Tiago Dahdah; e o coordenador-geral de Crédito Rural, João Cláudio da Silva Souza.
Mapa diz que seguirá avaliando alternativas
Ao final da reunião, o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, afirmou que o Mapa seguirá dialogando com o setor produtivo e com o sistema financeiro em busca de alternativas para fortalecer a atividade orizícola.
Segundo ele, a pasta continuará avaliando medidas que possam contribuir para o aperfeiçoamento dos instrumentos de política agrícola e para dar maior sustentação à cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul.