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Soja recua em Chicago e mercado reage a nova pressão geopolítica

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Soja recua em Chicago e mercado reage a nova pressão geopolítica
Soja recua em Chicago e mercado acompanha impacto da tensão internacional, exportações e prêmios. Foto: Freepik

Declarações de Donald Trump sobre a China e o Estreito de Ormuz pressionam os contratos da soja em Chicago, enquanto o mercado brasileiro segue atento à exportação e aos padrões de qualidade

A soja abriu a semana em forte queda na Bolsa de Chicago, em um movimento influenciado pela volta das tensões geopolíticas ao centro das atenções. Segundo análise da Granoeste Corretora, o mercado reagiu negativamente após nova declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo a China e o Estreito de Ormuz, o que aumentou a cautela dos investidores e pressionou os contratos futuros da oleaginosa.

Na manhã desta segunda-feira, o contrato maio recuava 32 pontos, negociado a US$ 11,93 por bushel. O movimento contrasta com o desempenho da semana passada, quando a posição presente atingiu o melhor patamar desde o fim de 2023, com o vencimento maio se aproximando de US$ 12,40.

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O fator que pesou sobre o mercado foi a sinalização de Trump de que, caso a China não contribua com o desbloqueio do Estreito de Ormuz, o encontro com o presidente Xi Jinping poderá ser adiado. Na avaliação do mercado, isso tende a empurrar ainda mais para frente um possível acordo envolvendo novos negócios com soja.

Além disso, o cenário internacional segue pressionado pela continuidade da guerra entre EUA/Israel e Irã, o que mantém a atenção voltada ao abastecimento global de petróleo. A preocupação é de que a oferta da commodity energética possa atingir níveis críticos ao longo do conflito, elevando os riscos para a economia global e ampliando a volatilidade sobre as commodities.

Brasil acompanha exportações, colheita e qualidade da soja

No Brasil, o mercado também segue atento ao andamento da safra, ao ritmo das exportações e às discussões envolvendo a qualidade do grão destinado ao mercado externo.

A colheita da soja brasileira atingiu 55,4% da área, segundo levantamento da consultoria Safras, percentual abaixo dos 70% registrados no mesmo período do ano passado e também inferior à média histórica de 64,1%.

Em Mato Grosso, o IMEA apontou que 96,4% da safra já havia sido colhida. Na mesma data de 2025, o índice era de 97,3%, mostrando leve atraso em relação ao ciclo anterior.

No comércio exterior, os dados da Secex indicam que as exportações brasileiras de soja somaram 7,11 milhões de toneladas em fevereiro, acima das 6,42 milhões de toneladas embarcadas em fevereiro de 2025.

Apesar do bom volume exportado, parte do mercado segue mais cautelosa. Algumas tradings exportadoras ficaram ausentes das negociações no mercado brasileiro enquanto aguardam uma definição mais clara sobre os padrões de qualidade da soja exportada. A expectativa é de que haja algum tipo de negociação sobre os níveis de tolerância para matérias e sementes estranhas.

Segundo a análise da Granoeste, esse ambiente de incerteza ajuda a manter o mercado físico mais seletivo, especialmente nas operações voltadas à exportação.

Prêmios e preços no Paraná

No mercado de prêmios, as indicações no spot giram entre -60 e -40 pontos. Para abril, a faixa indicada é de -65 a -40 pontos, enquanto para maio os prêmios variam entre -35 e -25 pontos.

No oeste do Paraná, as indicações de compra para a soja ficaram entre R$ 119,00 e R$ 122,00 por saca.

Já em Paranaguá, as referências aparecem entre R$ 130,00 e R$ 132,00 por saca, a depender do prazo de pagamento, do local de origem e também do período de embarque.

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