O período chuvoso ainda pode ser decisivo para a recuperação de pastagens degradadas e para o fortalecimento da base alimentar do rebanho. Com planejamento forrageiro, correção do solo e manejo adequado do gado, pecuaristas podem aproveitar as chuvas de março para melhorar a qualidade das áreas de pasto e aumentar a produtividade da atividade.
A presença de água no solo favorece a dissolução de insumos como calcário e fertilizantes, além de estimular o crescimento das forrageiras, criando um ambiente mais favorável para a recuperação das áreas.
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Segundo a engenheira agrônoma e mestre em Produção de Ruminantes, Letícia Vilela, aproveitar esse período ainda chuvoso é fundamental para obter melhores resultados. Ela destaca que a água contribui para a ação de insumos importantes na correção do solo e no desenvolvimento do capim.
Pastagens recuperadas podem multiplicar a produtividade
Os ganhos com a recuperação das pastagens podem ser expressivos. Estudos citados no material apontam que áreas recuperadas podem aumentar a produtividade em até quatro vezes, saindo de cerca de cinco arrobas de carne por hectare ao ano para até 20 arrobas por hectare ao ano em sistemas bem manejados.
O potencial de melhoria é relevante, especialmente porque grande parte das áreas de pecuária no Brasil ainda apresenta algum nível de degradação. As estimativas mostram que mais de 60% das pastagens brasileiras têm algum grau de degradação, o que reduz a capacidade de suporte do rebanho e limita a produtividade das propriedades.
Além do impacto produtivo, a recuperação também tende a ser mais econômica do que a abertura de novas áreas. Segundo os dados apresentados, restaurar pastagens pode custar até 72% menos do que expandir a produção por meio de desmatamento, além de contribuir para melhorar a fertilidade do solo e reduzir impactos ambientais.
Manejo do pastejo é uma das medidas mais acessíveis
Entre as práticas mais simples e de menor custo está o manejo correto do pastejo. A orientação é organizar melhor a permanência do gado nas áreas para evitar o sobrepastejo e permitir a recuperação do capim.
A alternância dos animais entre diferentes áreas de pasto é apontada como uma medida eficiente, já que permite que uma área seja utilizada enquanto outra descansa e se recupera.
Segundo Letícia Vilela, essa é uma ação que praticamente não gera custo adicional ao produtor, mas pode trazer benefícios importantes para o desenvolvimento da pastagem.
Ela ressalta que não existe um período fixo para a troca dos animais entre os piquetes, já que o tempo ideal depende do crescimento do capim. O ponto central é observar o desenvolvimento da planta e permitir que ela retorne à altura adequada antes de novo pastejo.
Divisão das áreas melhora o controle da pastagem
Outra estratégia recomendada é a divisão das áreas de pastagem. Separar um pasto grande em partes menores facilita o controle do tempo de pastejo e do período de descanso do capim, melhorando o aproveitamento da área.
Nesse processo, a cerca elétrica aparece como uma alternativa prática e mais econômica em comparação com cercas fixas, ajudando o produtor a organizar melhor o rodízio dos animais e a intensificar o manejo.
Segundo a especialista, essa divisão torna o sistema mais eficiente e contribui diretamente para a recuperação e manutenção da qualidade da pastagem.
Correção do solo reforça resposta das forrageiras
A aplicação de calcário também é destacada como uma prática importante na recuperação das pastagens. Além de corrigir a acidez do solo, o insumo fornece cálcio e magnésio, melhora o enraizamento do capim, favorece a infiltração de água e estimula a atividade de microrganismos importantes para a fertilidade.
A recomendação é que a aplicação seja feita com base em análise de solo, o que permite ajustar a quantidade correta do insumo para cada área.
Mesmo que os efeitos não sejam imediatos, a orientação é aproveitar as últimas chuvas para realizar esse manejo, preparando o solo para que a pastagem responda melhor no próximo ciclo chuvoso.
Vedação de áreas ajuda a formar reserva para a seca
Outra prática recomendada é a vedação de áreas de pastagem, especialmente em capins do gênero braquiária. Nesse sistema, o produtor mantém determinada área sem pastejo por um período para formar uma reserva de forragem.
A estratégia consiste em deixar o capim crescer e, quando ele atingir aproximadamente a altura do joelho e ainda houver algumas chuvas, permitir uma entrada rápida do gado para retirar apenas as pontas do capim. Depois disso, a área é fechada novamente.
Segundo a orientação técnica, essa prática ajuda a manter folhas verdes por mais tempo e garante uma pastagem de melhor qualidade para o período seco, quando a oferta de alimento costuma cair.
Recuperação reduz custos e fortalece a pecuária
Investir na recuperação e no manejo das pastagens traz reflexos diretos na produtividade e na sustentabilidade da pecuária.
Áreas recuperadas aumentam a capacidade de suporte da propriedade e permitem produzir mais carne ou leite na mesma área. Além disso, a melhora da fertilidade do solo e o uso mais eficiente da pastagem ajudam a reduzir custos de produção e a tornar a atividade mais sustentável ao longo do tempo.
No material, a avaliação é de que o pasto bem manejado responde rapidamente e continua sendo a base da alimentação do rebanho, com impacto direto nos resultados da propriedade.
