A segunda safra de milho no Paraná encerrou a temporada 2025/26 consolidando o terceiro ano consecutivo de expansão nos lucros das propriedades rurais. De acordo com o mais recente ranking de lucratividade elaborado pela consultoria Aegro Insights, a partir de dados de fazendas usuárias de seu software de gestão, os produtores situados no grupo dos 10% mais eficientes obtiveram um ganho líquido de R$ 4.672 por hectare, o equivalente a 80 sacas por hectare. No extremo oposto, os 10% com as piores métricas operacionais fecharam a safra no vermelho, amargando um prejuízo médio de R$ 574 por hectare (-10 sc/ha).
A pesquisa aplicou rigor metodológico ao equalizar o preço de mercado para todas as propriedades monitoradas, demonstrando que a discrepância de R$ 5.246 por hectare entre o topo e a base da amostragem decorreu estritamente da eficiência da porteira para dentro.
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“Com o mesmo preço de mercado, os 10% que mais lucraram colheram quase o dobro e gastaram R$ 661 por hectare a menos com insumos na safra 2025/26”, pontua Mathias Bergamin, engenheiro agrônomo e coordenador de inteligência de mercado da Aegro.
A produtividade lavrada no campo foi o principal fator de diferenciação: as melhores fazendas entregaram uma média de 124 sacas por hectare, contra modestas 65 sacas do grupo inferior. Simultaneamente, o pacote tecnológico de sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas consumiu R$ 2.221 por hectare nas fazendas líderes, frente a R$ 2.882 por hectare desembolsados pelas propriedades menos rentáveis. O perfil estrutural também mostrou contraste: a área mediana plantada com o cereal foi de 397 hectares no primeiro grupo, contra 92 hectares no pelotão de cauda.
Série histórica: recuperação de margens e menor COE
Ao analisar a série histórica dos últimos cinco ciclos, a mediana da margem financeira geral no Paraná alcançou R$ 2.996 por hectare (51 sacas por hectare) em 2025/26. Trata-se do melhor índice apurado desde o ciclo 2021/22 (R$ 3.637/ha), confirmando uma expressiva recuperação frente ao biênio de crise 2022/23, quando a saca desabou para R$ 47, o ganho típico desceu a R$ 689/ha e 35% das lavouras operaram em prejuízo.
O ciclo recém-concluído computou ainda o menor Custo Operacional Efetivo (COE) em cinco anos, fixado em R$ 3.669 por hectare. Com o alívio nas despesas com insumos e operações, o ponto de equilíbrio exigido para cobrir o custeio caiu de 92 sc/ha (em 22/23) para 63 sc/ha na safra 2025/26, com preço médio de referência de R$ 58,50 por saca no intervalo de julho a setembro. No grupo superior de rentabilidade, esse breakeven despencou para apenas 44 sc/ha.
Poder de barganha na compra de insumos
Outro dado revelador do estudo foi o comportamento comercial na aquisição de insumos agrícolas. Ao confrontar cada nota fiscal com a mediana de preços praticada no Paraná no mesmo mês da transação, os dados apontam que os produtores mais lucrativos compraram produtos 4,8% abaixo do valor mediano de mercado, enquanto as fazendas no fim da tabela pagaram 0,9% acima da média estadual.
“Quanto maior o lucro do grupo estudado, mais barato o produtor comprou os mesmos insumos. Saber quanto o vizinho pagou pelo mesmo produto é o primeiro passo para não ficar entre os que compram acima da mediana”, ressalta Bergamin.
Apesar da vantagem comercial representar entre R$ 130 e R$ 165 economizados por hectare (cerca de 2 a 3 sacas), o especialista adverte que a negociação de insumos responde por menos de 5% da distância financeira total entre os grupos. “O grosso vem da produtividade. Comprar bem é uma das marcas de quem lucra mais, não a explicação do lucro”, conclui o coordenador da Aegro, enfatizando que o segredo da rentabilidade repousa na conversão biológica e no manejo agronômico assertivo.
