Segundo informações do boletim especializado da TF Agroeconômica, o governo do Uruguai oficializou a suspensão temporária das compras externas de aves vivas e derivados avícolas procedentes de todo o território brasileiro. A medida foi formalizada pela Resolução nº 244/026, publicada pelo Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca uruguaio, em decorrência da identificação de focos da doença de Newcastle em granjas comerciais no oeste do estado de Santa Catarina.
A determinação das autoridades sanitárias uruguaias abrange animais suscetíveis à infecção viral, além de itens e subprodutos da cadeia avícola processados ou elaborados a partir de 6 de setembro de 2026. O protocolo regulatório estabelece exceções unicamente para mercadorias que tenham passado por tratamentos térmicos ou processos industriais específicos devidamente certificados pelo Serviço Veterinário Oficial, capazes de garantir a inativação completa do agente patogênico.
Mapa confirma novo foco de Newcastle em Nova Erechim no oeste de SC
Novo foco da doença de Newcastle é confirmado em SC
Efeito cascata e barreiras sanitárias globais
Com a decisão de Montevidéu, o setor exportador de proteína avícola nacional passa a lidar com mais uma frente de restrições comerciais bilaterais. Atualmente, o mapa de sanções divide-se entre dois formatos: nações como México, Malásia e o próprio Uruguai aplicaram suspensões abrangentes para categorias de produtos provenientes de qualquer estado brasileiro, enquanto mercados importadores de grande peso — a exemplo da China, Chile e Arábia Saudita — optaram pela regionalização do embargo, restringindo unicamente o fornecimento das unidades frigoríficas de Santa Catarina.
Essa divergência nos critérios adotados pelos parceiros comerciais amplia o desafio logístico e comercial das indústrias brasileiras, que precisam redirecionar rotas e cargas para evitar gargalos nos portos e excesso de oferta nas prateleiras do mercado doméstico.
Monitoramento e negociação das autoridades federais
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém rodadas contínuas de interlocução técnica com as representações veterinárias de todos os países compradores. O objetivo das autoridades é demonstrar a eficácia e a rapidez dos protocolos de contenção sanitária aplicados nos municípios afetados pelo vírus, visando acelerar a repactuação dos certificados zoossanitários internacionais e restringir as barreiras estritamente à área de emergência delimitada.
A pasta federal reitera que a doença de Newcastle é uma patologia de natureza viral com impacto econômico e sanitário focado nas aves, e que o consumo de carne e ovos fiscalizados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) permanece estritamente seguro e sem riscos para a saúde humana.
