Segundo informações divulgadas pelo Sistema FAEP, produtores rurais participantes de viagens técnicas promovidas ao longo de 2026 aos Estados Unidos começaram a implantar ferramentas digitais avançadas na gestão de suas atividades cotidianas. O contato com universidades, fazendas, centros de inovação e empresas de tecnologia na Califórnia, Nebraska, Iowa, Illinois e Missouri impulsionou o uso de inteligência artificial, automação de processos, sensoriamento remoto e sistemas de análise de dados aplicados diretamente na rotina das propriedades agrícolas.
De acordo com o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a aproximação internacional visa acelerar a transferência tecnológica para as propriedades rurais brasileiras.
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"O objetivo principal destas viagens é permitir que os nossos líderes e produtores conheçam tecnologias que ainda não estão no Brasil. Desta forma, eles podem, além de aplicar na própria fazenda, disseminar esse conhecimento entre os associados dos sindicatos e os produtores da região", destaca.
Otimização financeira na mandiocultura
A gestão administrativa e o controle de custos ganharam apoio digital na mandiocultura. A produtora e vice-presidente do Sindicato Rural de Santa Cruz de Monte Castelo, Kátia Garrido, iniciou a integração de inteligência artificial em sua fazenda após reuniões online com Lamine Dabo, diretor-executivo da empresa norte-americana Agro AI. Inicialmente cadastrada na versão gratuita da plataforma, a agricultora estuda contratar o pacote integral de 299 dólares mensais para automatizar o apontamento de despesas operacionais por meio de comandos de voz e fotografias de notas e recibos.
Conforme explica a produtora, a digitalização dos dados financeiros ajuda a suprir o déficit de trabalhadores nas etapas críticas da safra.
"Eu pretendo colocar meus custos operacionais e gastos diários na ferramenta, para acompanhar a rentabilidade da cultura, identificar custos que possam ser reduzidos e tornar a gestão mais ágil. Devido à escassez de mão de obra, a gente precisa de mais participação efetiva da própria família. Então, com a Inteligência Artificial, pretendo terceirizar algumas atividades para a ferramenta e me dedicar mais à operação", afirma.
Modernização de silos com código automatizado
Na infraestrutura de pós-colheita, o presidente do Sindicato Rural de Ortigueira e produtor de grãos, Marcos Eidam, utilizou inteligência artificial generativa para reescrever e atualizar o sistema operacional da unidade de recebimento da família. O programa original, desenvolvido por ele há mais de uma década para gerenciar a entrada de soja, milho e trigo, dependia de uma versão defasada do sistema Windows, impedindo a modernização dos computadores conectados à balança rodoviária.
Após participar de treinamentos sobre a plataforma Claude durante a missão internacional, o agricultor inseriu o código-fonte original na ferramenta e obteve uma aplicação moderna em nuvem em menos de 24 horas de desenvolvimento.
"Poder conversar em linguagem coloquial com uma ferramenta e ela desenvolver e integrar coisas é espantoso. Estou fascinado com o que essa ferramenta é capaz de fazer", relata o produtor, que já opera a nova versão na rotina do armazém enquanto finaliza ajustes adicionais sugeridos pela própria inteligência artificial.
Sensoriamento de pragas e registros por comando de voz
O uso de imagens de satélite de alta resolução também entrou na esteira de testes do agronegócio para quantificar prejuízos na produção. A presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, Deborah Gerda de Geus, abriu diálogo com a empresa de sensoriamento orbital Planet Labs para avaliar o uso de imagens na mensuração de perdas provocadas pelo ataque de javalis em lavouras, fator que também traz alertas de contaminação sanitária para as granjas comerciais. A produtora enviou coordenadas geográficas de talhões atingidos para verificar a viabilidade de identificar se o estrago visível no dossel vegetativo decorre da ação de javalis, capivaras ou outros fatores de estresse.
"O próximo passo é avaliar se as imagens de satélite podem ajudar a dimensionar os danos nas lavouras. Seguimos em contato com a empresa para entender o que a ferramenta consegue identificar", detalha.
Em outra frente de modernização, o chefe da Assessoria de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, Alexandre Martins, avalia uma plataforma da empresa Numanac, conhecida durante a visita técnica à Reservoir Farms, que converte relatos verbais do trabalhador rural em relatórios estruturados de campo. O sistema transforma gravações informais de voz em dados organizados sobre datas, talhões e doses de insumos aplicados, tecnologia em análise para dar suporte às visitas de campo da Assistência Técnica e Gerencial.
Segundo observa o especialista, o recurso elimina a dependência exclusiva de cadernos de campo e anotações dispersas.
"As pessoas têm uma dificuldade de fazer anotações e de ter esses registros. A interação por voz pode reduzir essa barreira ao permitir que o produtor relate as atividades de maneira simples", conclui.
