Segundo levantamento apresentado na reunião de encerramento do ciclo 2026 nesta terça-feira (27), a Comissão Técnica de Hortifruticultura do Sistema FAEP consolidou avanços regulatórios na proteção das lavouras paranaenses. Ao longo do triênio da gestão iniciada em 2024, o grupo de trabalho — liderado pelos produtores rurais Marco Antônio Machado e Paulo Ricardo Da Nova — promoveu nove encontros com a participação de 48 sindicatos rurais, priorizando a ampliação de registros químicos e biológicos para as culturas com suporte fitossanitário insuficiente, conhecidas no setor como minor crops.
A falta crônica de insumos homologados para hortaliças e frutas de nicho representava um dos maiores obstáculos para o controle fitossanitário. Como resultado direto da atuação interestadual e do alinhamento junto aos ministérios e órgãos reguladores, o setor contabilizou 609 marcas comerciais devidamente registradas para essas atividades, ampliando as ferramentas legais para o manejo integrado de pragas e doenças no campo.
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Conforme ressalta o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o protagonismo estadual foi decisivo para destravar a pauta em âmbito federal.
"O Sistema FAEP participou das discussões em âmbito federal e coordenou a pauta de defensivos agrícolas e produtos biológicos para essas culturas. Desde 2018, quando o tema ganhou relevância nacional, somos referência nesse trabalho, que busca ampliar as alternativas disponíveis para o manejo das lavouras", pontua o dirigente.
Certificação oficial e apoio técnico no campo
Paralelamente à pauta fitossanitária, a comissão direcionou esforços para a certificação da produção vegetal, que já conta com diretrizes e protocolos normatizados para culturas como banana, café, goiaba, morango, além de florestas plantadas e derivados florestais. Com vistas a valorizar esses padrões no ponto de venda, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) iniciou diálogo com grandes redes do comércio varejista para consolidar o reconhecimento do selo de qualidade paranaense.
Para assegurar que o produtor rural consiga atender às exigências documentais e agronômicas sem elevar custos burocráticos, instrutores do Sistema FAEP vinculados à Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Hortifruticultura concluíram capacitação e credenciamento oficial junto à Adapar. Dessa forma, os técnicos de campo estão formalmente habilitados para responder como responsáveis técnicos pelas turmas de produtores atendidos pelo programa, guiando os ajustes na propriedade até a conquista da chancela.
Expansão dos bioinsumos e aplicação em ultrabaixo volume
O encontro também abriu espaço para debates técnicos sobre as perspectivas dos produtos biológicos no agronegócio. Em apresentação direcionada aos membros da comissão, a bióloga e coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Koppert, Isabella Gotti, informou que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) contabiliza atualmente 1.016 defensivos biológicos com registros válidos em território nacional.
A especialista alertou que os gargalos da cadeia biológica concentram-se na eficiência das tecnologias de pulverização, sobretudo com o avanço rápido das aplicações via drones e a busca pela diminuição nos volumes de calda por hectare. Nesse segmento de ponta, foi destacada a submissão de dossiê ao Mapa para registro de um novo insumo concentrado voltado a ultrabaixo volume, cuja seleção de componentes respeitou as diretrizes e exigências técnicas da agricultura orgânica.
