A redução no preço do diesel importado no Paraná deve trazer um alívio importante para o meio rural em um momento de forte pressão sobre os custos da atividade. A medida, publicada nesta terça-feira (31), prevê subsídio conjunto dos governos federal e estadual de até R$ 1,20 por litro, com participação de R$ 0,60 de cada ente, e busca amenizar os efeitos da alta dos combustíveis intensificada nas últimas semanas.
O impacto é direto sobre a agropecuária paranaense, já que o diesel segue como um dos principais insumos da produção rural. O combustível é essencial para o funcionamento das máquinas nas propriedades e também tem peso relevante na logística, especialmente no transporte de grãos, carnes, leite e outros produtos que dependem do escoamento até cooperativas, indústrias e portos.
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Medida reduz parte da pressão sobre os custos no campo
A adesão do Paraná ao programa de redução da carga tributária sobre o óleo diesel ocorre em um contexto de forte encarecimento do combustível, impulsionado pelos reflexos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional de energia.
Pelo programa, os governos estadual e federal vão dividir o subsídio de até R$ 1,20 por litro de diesel importado, o que pode aliviar parte da escalada de preços registrada nas últimas semanas. Segundo a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa), o impacto estimado da medida é de cerca de R$ 77,5 milhões por mês para os cofres do Estado.
O Paraná é atualmente o terceiro maior importador de diesel do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, o que ajuda a explicar a relevância da iniciativa para a economia estadual e, em especial, para o agronegócio.
Diesel pesa dentro e fora da porteira
No campo, o diesel tem papel central na operação das propriedades rurais. Hoje, cerca de 73% da energia utilizada no meio rural tem origem nos combustíveis fósseis, com forte dependência do óleo diesel para abastecimento de tratores, colheitadeiras, pulverizadores e demais equipamentos agrícolas.
Esse peso se torna ainda mais sensível em momentos de elevação brusca nos preços, já que o custo operacional da produção tende a subir rapidamente, pressionando a rentabilidade de lavouras e atividades pecuárias.
Fora da porteira, o impacto também é expressivo. O diesel representa aproximadamente 40% do custo do frete para o escoamento da produção, o que afeta diretamente a competitividade da agropecuária, especialmente em um Estado com grande volume de grãos, proteína animal e produtos industrializados do agro.
Alívio chega, mas cenário ainda exige cautela
Embora a redução no valor do diesel represente um alívio imediato, o cenário ainda exige atenção do setor produtivo. Nas últimas semanas, o combustível registrou forte avanço em diferentes regiões, elevando os custos em um momento já marcado por margens apertadas e alta volatilidade no mercado internacional.
Com isso, a medida ajuda a reduzir parte da pressão, mas não elimina totalmente os impactos acumulados sobre a atividade rural. Para o produtor, o momento ainda pede cautela na gestão dos custos, principalmente em cadeias mais dependentes de mecanização intensiva e transporte de longa distância.
A expectativa é que o subsídio contribua para estabilizar temporariamente o mercado, ao menos enquanto persistirem os efeitos da crise internacional sobre o petróleo e seus derivados.
Biodiesel ganha espaço no debate energético do agro
Além das medidas emergenciais para reduzir o custo do diesel, cresce também a discussão sobre alternativas estruturais para diminuir a dependência do combustível fóssil no campo.
Entre as propostas em debate está o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, como forma de ampliar a segurança energética, fortalecer a produção nacional de biocombustíveis e reduzir a exposição do setor agropecuário às oscilações do mercado internacional de petróleo.
A elevação do teor de biodiesel é vista por parte do setor como uma estratégia que pode contribuir para reduzir custos no médio prazo, além de favorecer a transição para uma matriz mais renovável no campo, tanto na agricultura quanto na pecuária.
Paraná busca fôlego em meio à pressão sobre o agro
Para a agropecuária paranaense, a redução no preço do diesel representa um fôlego importante em um período de custos elevados e incerteza externa. O combustível é um elo essencial de toda a cadeia produtiva, desde o preparo do solo até o transporte da produção, e qualquer alívio no preço tem efeito direto sobre o caixa do produtor.
Em um Estado com forte protagonismo no agronegócio nacional, a medida ajuda a preservar competitividade e a reduzir parte da pressão sobre as margens, ainda que o cenário siga desafiador. O comportamento dos combustíveis nas próximas semanas continuará no radar do setor, assim como novas alternativas para conter custos e ampliar a eficiência energética no campo.
