O volume de trigo importado pelo Brasil registrou forte aceleração no mês de julho de 2026. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o desembarque do cereal nos portos brasileiros atingiu o maior patamar mensal do ano até o momento.
Análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que a movimentação no mercado internacional foi favorecida pela escassez de oferta no mercado spot brasileiro, especialmente de lotes de qualidade superior, caracterizados por Peso Hectolitro (PH) acima de 78.
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A atratividade do produto vindo do exterior foi reforçada pelas cotações. O preço médio do trigo importado chegou às indústrias moageiras em patamares inferiores aos praticados no mercado doméstico, aumentando a vantagem competitiva do cereal estrangeiro — com destaque para os lotes originados na Argentina.
Pressão sobre os preços no Sul e balanço acumulado
No Rio Grande do Sul, importante polo produtor e fornecedor nacional, o preço médio nominal do grão permaneceu acima do valor de paridade do trigo importado. Diante desse descompasso e para evitar o represamento de estoques, os vendedores brasileiros foram forçados a ceder nas negociações, aplicando descontos para tentar reter a demanda dos moinhos locais.
Apesar da disparada observada em julho, a dependência do produto externo no consolidado do ano mostra um quadro moderado. No acumulado dos últimos 12 meses, as importações continuam em níveis inferiores aos registrados no mesmo intervalo do ano anterior.
Da mesma forma, o volume total importado entre janeiro e julho de 2026 permanece abaixo do contabilizado no mesmo período de 2025, configurando a menor soma de importações dos últimos três anos para os primeiros sete meses do ano.
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