Os preços médios recebidos pelos produtores rurais brasileiros registraram recuperação expressiva ao longo do último mês. Em setembro de 2026, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) apurou avanço nominal de 3,62% na comparação direta com agosto. O desempenho foi capitaneado principalmente pelo segmento de cereais e oleaginosas, que compensou a perda de rentabilidade registrada em pomares e hortas.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o principal vetor de sustentação foi o IPPA-Grãos, que disparou 6,58% no mês. A trajetória altista também contou com o suporte do IPPA-Pecuária (+2,08%) e do IPPA-Cana-Café (+0,15%), fatores que neutralizaram com folga a retração verificada no IPPA-Hortifrutícolas (-3,98%).
Sistema FAEP e CNA preparam ADI contra escala 5x2 no agro
Estoques de títulos privados do agro somam R$ 597 bi
No balanço individual de mercadorias, as principais altas na porteira envolveram algodão, arroz, milho, soja, trigo, boi gordo, frango vivo, suíno vivo, leite cru, batata, tomate e cana-de-açúcar. Em sentido contrário, ovos de granja, banana, laranja de mesa e industrial, uva e café exerceram pressão baixista sobre seus respectivos grupos.
O levantamento revela ainda que os preços do campo superaram a dinâmica industrial: o Índice de Preços por Atacado - Oferta Global - Disponibilidade Interna (IPA-OG-DI) subiu 1,57% no mesmo período. No cenário externo, as cotações dos alimentos em dólares avançaram 1,48%. Com a leve apreciação cambial de 0,16% do real frente à moeda norte-americana, a cesta internacional de alimentos convertida em moeda nacional registrou valorização de 1,31%.
Balanço anual ainda reflete queda acumulada
Apesar do alívio apurado em setembro, o balanço de longo prazo ainda evidencia compressão de receitas nas fazendas. No acumulado de janeiro a setembro de 2026 contra o mesmo período de 2025, o IPPA/Cepea acumula baixa de 6,56%.
As maiores perdas no intervalo de nove meses incidem sobre o IPPA-Cana-Café (-20,90%) e o IPPA-Hortifrutícolas (-8,58%), seguidos pelas quedas no IPPA-Grãos (-3,49%) e no IPPA-Pecuária (-2,54%).
Nessa mesma base anual, o IPA-OG-DI acumula alta de 1,24%, enquanto os alimentos no mercado internacional registram retração de 8,39% em reais — apesar de subirem 0,75% em moeda estrangeira —, refletindo diretamente o recuo cambial de 8,96% e o fortalecimento do real frente ao dólar ao longo do ano.
