A ampliação da capacidade de esmagamento de grãos em Mato Grosso intensificou o fluxo de escoamento de produtos de valor agregado no comércio exterior. Dados compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a partir de registros da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que os embarques de farelo de soja somaram 5,22 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026, montante 10,26% superior às 4,74 milhões de toneladas remetidas no mesmo período do ano passado. No caso do óleo de soja, o avanço foi ainda mais expressivo, atingindo 224,32 mil toneladas, um salto de 26,76% na comparação com as 176,96 mil toneladas registradas nos sete primeiros meses de 2025.
O analista de inteligência do Imea, Juan Porto, aponta que o crescimento das vendas externas resulta do encontro equilibrado entre uma safra farta no campo e apetite comercial robusto fora do país. O incremento consecutivo nas colheitas assegura matéria-prima abundante às fábricas instaladas no interior mato-grossense, permitindo que as linhas de processamento quebrem recordes operacionais na extração de óleo e na produção da fração proteica.
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Para o segmento de farelo de soja, a vocação exportadora é amplamente predominante. A projeção do instituto para a safra 2025/26 indica que 80,36% de todo o farelo produzido no estado seja embarcado para o exterior, abastecendo com consistência as cadeias de ração animal da Europa e dos países asiáticos. Na evolução mensal, a força compradora ficou evidente em julho, quando o estado escoou 814,41 mil toneladas, superando as 679,39 mil toneladas do mesmo mês de 2025. Em junho, os envios haviam atingido 793,43 mil toneladas, alta anual de 21,59%.
Óleo supera exportação de 2025 inteiro e abastece biodiesel interno
A rota do óleo de soja exibe uma dinâmica mista e estratégica. Historicamente, a maior fatia da produção atende ao consumo doméstico para a produção de biocombustíveis, mercado ancorado pelo aumento progressivo da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil. No entanto, o excedente exportável ganhou escala inédita em 2026: as 224,32 mil toneladas remetidas até julho já superam o volume total de óleo de soja exportado por Mato Grosso durante todos os doze meses de 2025. O maior pico de embarques concentrou-se no primeiro trimestre, com 59,01 mil toneladas em fevereiro e 50,40 mil toneladas em março, mantendo volume de 38,64 mil toneladas em julho.
As projeções do Imea para a temporada 2025/26 apontam para a consolidação de 10,33 milhões de toneladas de farelo de soja e 2,72 milhões de toneladas de óleo de soja produzidos no estado. Segundo Juan Porto, enquanto a demanda internacional dita o ritmo do farelo, o óleo se estabelece como peça-chave de equilíbrio econômico, atendendo à demanda da matriz energética interna e capturando janelas lucrativas de exportação quando a oferta permite.
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